A era dos mapas semânticos

 

Artigo escrito por Bernardo Gutiérrez (@bernardosampa), CEO e Founder de Futura Media. 

Olhe para o mapa. Você reconhece a Bahia de San Francisco. Mas você não pode encontrar as cidades que você procura. Agora você sabe por quê: Acting (Atuando) substitui Los Angeles; San Francisco é Gay. Agora entra no site  do projeto A more perfect Union de Luke Dubois. Escolha o mapa de Nova Iorque. Você reconhece o rio Hudson, a ilha de Manhattan. Exato: Nova York chama-se Now (Agora). A explicação é simples: os mapas de Luke Dubois estão construídos através da análise das palavras mais repetidas em redes sociais. Nova Orleans, anos depois do furacão Katrina, ainda se chama Flood (Inundação). Se uma marca ou um governo tentasse impor a essência de uma cidade, serviria de pouco. Nova Iorque, na democracia semântica da sociedade em rede, não significa exatamente negócios. San Francisco é mais do que tecnologia.

A união perfeita de Luke Dubois, protótipo de um novo mundo, é regida por outras regras. As mensagens verticais não funcionam mais. A propaganda, também não. A história, este presente que vai ser estudado no futuro, não será mais uma história distorcida por alguns. O passado não será mais  essa ficção científica forjada por filólogos. E as metarrativas do sistema, estas armas de construção em massa, vão desaparecer.

A vida, graças à tecnologia e às redes, começa a se parecer mais com uma narração coletiva que com um monólogo. O Trendsmap do Twitter diz mais de um país que a capa de seus jornais. Em pouco tempo, vamos ter tecnologia para conhecer a cara semântica de uma rua em  tempo real ou o mapa de emoções de um prédio. O projeto Califórnia We Feel Fine, uma exploração das emoções humanas através da visualização, foi um dos primeiros passos nesta direção. O australiano Alexander Davis fez em 2010 o mapa da felicidade de Twitter. Mas talvez o trabalho mais sólido e inspirador seja o mapa das emoções de cada país preparado por Scott Golder e Macy Michael para a revista Science.


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