Aplicativos para se perder

Aplicativos móveis para se perder nas cidades, para vagabundear, para descobrir lugares inesperados. Dada à avalanche de apps móveis direcionados ao consumo geolocalizado, a sociedade em rede está começando a desenvolver aplicativos de ‘deriva’, inspirados no situacionismo, um movimento intelectual quase esquecido. Este movimento, liderado por Guy Debord, incentivava a criação de novas situações, “o valor do jogo, a vida construída livremente.” O principal argumento situacionista foi o conceito irreverente de deriva. A deriva entendida como um mecanismo lúdico-construtivo que desconstrói as definições clássicas de viagem ou passeio.

O aplicativo Dérive (deriva), uma vez baixado para o telefone celular, sugere rotas imprevisíveis, aleatórias. Dérive incentiva a deriva pelas cidades e a descoberta de novos cantos. O app Dérive, construído com código aberto, tem apenas um ponto de partida, “explorar o espaço urbano de outras maneiras.“ Após sucessivas perdas, cada um encontra metas e/ou objetivos diferentes. Novas paisagens da nova psicogeografia. O norte-americano Mark Shepard, um dos gurus da sentient city, é o autor de Serendipitor, outro grande app de deriva que ajuda você a “descobrir algo enquanto procura outra coisa”. Quando o cidadão segue suas instruções repentinamente encontra uma cidade-surpresa. A aplicação pode incitar você a tirar fotos de uma árvore ou presentear uma flor a um desconhecido. WalkSpace, outro app, é uma opção interessante para os amantes das imprevisíveis rotas culturais que encoraja que as rotas sejam compartilhadas e incentiva as relações entre estranhos.

A menor distância entre dois pontos costumava ser uma linha reta. Mas na nova sociedade em rede existem novos comportamentos que buscam a curva, novos fios de relações, cidades instantâneas. A cidade nua que Debord presenteou aos psicogeógrafos.