Para a cidade da aprendizagem

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Artigo escrito por Bernardo Gutiérrez (@bernardosampa), fundador de Futura Media, e publicado primeiro no jornal 20 Minutos

Crie um evento na rede. Pode ser uma conferência. Ou um debate. Ou uma aula. Agora, escolha um lugar. Uma cidade, um bairro, uma sala. Peça um número mínimo de participantes. Você pode escolher se é um evento gratuito ou se quer um pagamento. Em seguida, movimente-o nas redes. E espere. Simples assim é a filosofia da plataforma brasileira Nos.vc.

Nos.vc, algo como “Nós e você”, quer incentivar a troca de conhecimentos em qualquer espaço. Quer romper os muros das universidades. E transformar a cidade em cidade de aprendizagem como diz o urbanista e pensador Doménico di Siena. Qualquer canto pode ser uma aula. Qualquer parque, qualquer praça, um lugar de ensino e intercâmbio. Todas as pessoas podem aprender com todas. A hierarquia professor-aluno não é tão rígida. Ensinar é mais bidirecional. E Nos.vc tem muito claro: “a aprendizagem não deve ser restrita às fases da vida, instituições e alguns professores. Qualquer momento é bom, todo mundo pode ensinar e aprender”.

E o que é exatamente o conceito de cidade da aprendizagem? Para começar tem um claro antagonismo quanto às cidades criativas defendidas pelo neoliberal Richard Florida, baseadas em um modelo de consumo cultural. A cidade de aprendizagem, segundo Doménico di Siena, consiste em “passar de modelos baseados na criação de produtos e serviços eficientes que nos obrigam a um constante movimento (e consumo), para modelos baseados em gestão de informação e de produção de conhecimento (auto-organização)“.  A iniciativa de Doménico Think Commons, que une virtualmente diferentes pessoas que logo se encontram na cidade, é um bom exemplo disso.

Universidad Indignada do movimento espanhol 15M, que quer transformar as praças e parques em uma universidade aberta, caminha nesta direção. O projeto Break Out  de Barcelona, ​​também. Seu slogan, “Escape do escritório”, convida a usar o espaço público como local de trabalho. Uma cidade cheia de escritórios itinerantes, de pessoas trabalhando nas imediações, seria uma cidade de aprendizagem. O plug in Meet Up Everywhere, que permite o encontro no meio urbano das comunidades virtuais ao redor de conteúdos temáticos, é outra cara da cidade de aprendizagem.

Tem sentido limitar uma classe em um espaço físico fechado na idade das redes? A Universidade de Harvard tem claro que não: a partir de agora colocará na Internet a maioria de seus cursos. O próprio Massachusetts Institute of Technology (MIT) decidiu subir seus cursos completos na web para que qualquer pessoa possa segui-los. O Hacking Academy Studio, lançado por alguns membros do Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC) da Espanha, vai nesta direção. Embora talvez o mais radical do ensino auto-gerido seja a P2P University ou pela Universidade Livre Fora do Eixo.

Enquanto os governos aumentam as taxas universitárias para um modelo de formação elitista, a sociedade reinventa a educação a partir da horizontalidade e o compartilhado.

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