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	<title>Futura Media</title>
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		<title>Procura-se nome para uma agência de notícias livres</title>
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		<pubDate>Thu, 02 May 2013 10:50:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Futura Media</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Acaba de nascer uma agência de notícias latino americana. Ainda não tem nome. Não vai ter uma festa de apresentação pomposa. Também não vai investir em caras campanhas de marketing. Sua aposta é a colaboração, o trabalho em rede. O hashtag #ComunicaCultura será o lugar de encontro]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://futuramedia.net/wp-content/uploads/2013/05/agenciaportu.png"><img class="aligncenter size-full wp-image-1076" alt="agenciaportu" src="http://futuramedia.net/wp-content/uploads/2013/05/agenciaportu.png" width="370" height="486" /></a></p>
<p><strong>Acaba de nascer uma agência de notícias latino americana. Ainda não tem nome. Não vai ter uma festa de apresentação pomposa. Também não vai investir em caras campanhas de marketing. Sua aposta é a colaboração, o trabalho em rede</strong>. Há melhor marketing que abrir o processo desde o seu nascimento? Uma frase que aparece no seu <a href="http://agenciaculturas.wordpress.com/" target="_blank">site</a> é muito significativa:</p>
<p><em>“Se você tivesse que escolher um nome poderoso e poético, preciso e aplicável à agência, que funcione em espanhol e português, qual seria e por que? Deixe sua sugestão na parte inferior desta página! &#8211; Obrigado!”</em></p>
<p><strong>Qualquer pessoa pode enviar sua proposta de nome no site temporário da agência, no hashtag de Twitter #COMUNICACULTURAS e em outras redes sociais. A agência de informação e comunicação, gestionada pela rede de coletivos culturais latino americanos do projeto Juntos, publicará seu conteúdo em espanhol e português</strong>. “A gente se pensa desde o formato da rede. Concebemos um novo jornalismo em rede, baseado na colaboração, na instantaneidade e na comunicação multimídia, multidireional e interativa”, asseguram os coletivos que colaboram no processo Juntos.</p>
<p><strong>#ComunicaCultura vai apostar por um jornalismo distante do imaginário da “mesa de redação”, um jornalismo digital que não vai ficar limitado à informação que é acessível através da rede</strong>. <em>#ComunicaCultura</em> procura construir pontes para o diálogo entre as mais diversas experiências de ação cultural do continente, além dos âmbitos exclusivos da internet.</p>
<p><strong><em>#ComunicaCultura</em> vai ter licença livre e vai dar voz à processos de cultura viva, cultura livre, cultura aberta e cultura de rede</strong>. É um projeto no qual participam <a href="http://www.culturasenda.com/" target="_blank">Cultura Senda </a>(Argentina-Venezuela), <a href="http://www.martadero.org/" target="_blank">mARTdadero</a> (Bolivia), <a href="http://culturaperu.org/" target="_blank">Cultura Perú</a> (Perú) e <a href="http://foradoeixo.org.br/" target="_blank">Fora do Eixo </a>(Brasil), entre outros</p>
<p><em>Deixe suas idéias no site <a href="https://comunicaculturas.wordpress.com/">ComunicaCulturas</a></em> ou no h<em>ashtag de Twitter</em> <a href="https://twitter.com/search/realtime?q=%23ComunicaCulturas&amp;src=typd">#ComunicaCulturas</a></p>
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		<title>Design livre primitivo</title>
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		<pubDate>Sat, 16 Mar 2013 19:30:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Futura Media</dc:creator>
				<category><![CDATA[Design]]></category>
		<category><![CDATA[colaboração]]></category>
		<category><![CDATA[commons]]></category>
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		<category><![CDATA[inovação]]></category>

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		<description><![CDATA[O design colaborativo e aberto da América Latina é uma lição para o sector da inovação tecnológica e para os processos abertos da cultura livre]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_1057" class="wp-caption aligncenter" style="width: 555px"><a href="http://futuramedia.net/wp-content/uploads/2013/03/culturaremix.jpeg"><img class="size-full wp-image-1057" alt="Fonte da imagem: http://www.mindjumpers.com/blog/ " src="http://futuramedia.net/wp-content/uploads/2013/03/culturaremix.jpeg" width="545" height="273" /></a><p class="wp-caption-text">Fonte da imagem: http://www.mindjumpers.com/blog/</p></div>
<p>Por <strong><em>Emilio Velis</em></strong>*</p>
<p><strong>No passado, todos os criadores foram considerados artesãos. Não foi até faz 500 anos que os primeiros artistas surgirem da face das suas criações para se ganhar um lugar privilegiado dentro de nossas sociedades</strong>. Naquele ambiente primitivo, muitos elementos relacionados à criatividade ficaram juntos de uma maneira natural, ou seja, sem nenhum método ou restrição estabelecida, criando assim uma configuração de design sem restrições que deu lugar ao desenvolvimento cultural na escala local: um design que é naturalmente aberto.</p>
<p><strong>Um bom exemplo que chama a minha atenção é do Nahuizalco, uma cidade ao Oeste de San Salvador, em El Salvador. A principal fonte de receita é o design e fabricação de objetos de madeira: artesanatos ornamentais, utensílios e mobiliário</strong>. Os artesãos neste lugar tem aprendido tudo através de distintas fontes, sendo as mais importantes a inovação local, a influência entre si dentro do sistema, e as influências externas. Hoje em dia as coisas não funcionam na mesma maneira, pelo ‘desenvolvimento’ de conceitos tais como a visão na propriedade privada da criatividade, assim como a criação de restrições sistêmicas à influência mútua entre os criativos. Algumas das condições que limitam esta configuração multidimensional da inovação são:</p>
<p><b>1. A negação da coletividade da inovação.</b> Como eu disse ao principio, a expressão criativa tem trocado do propósito de ser um elemento mais da sociedade, para ficar num estatus superior. A visão romântica de um gênio louco, trancado no seu quarto até achar a epifania foi parte fundamental de esta visão, e não foi sem os resultados de pesquisas recentes da antropologia como contexto da inovação que tem permitido negar (pelo menos academicamente) esta ideia. Por exemplo, de acordo com R. Keith Sawyer (<em>Explaining Creativity, 2006</em>), é importante analisar todas as influências externas ao indivíduo, o que quer dizer que o ato de criação é mais social do que todos nós pensávamos. “Para explicar a criatividade no somente devemos incluir estes enfoques contextualizados; em muitos casos devemos começar com eles”.</p>
<p><a href="http://futuramedia.net/wp-content/uploads/2013/03/desiglivre.jpg"><img class="aligncenter size-large wp-image-1058" alt="desiglivre" src="http://futuramedia.net/wp-content/uploads/2013/03/desiglivre-558x373.jpg" width="558" height="373" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Imagem: artesanato da cidade Nahuizalco, de El Salvador</em></p>
<p><b>2. O fechamento parcial ou total das vias de transferência do conhecimento e aprendizagem.</b> Um dos principais problemas aparentes dentro de um sistema aberto é o plágio (muitas vezes atrevido demais) das obras. Por exemplo, para sociedades antigas, um dos métodos de pesquisa de informação cultural é a comparação geográfica entre as expressões artísticas, para desenhar uma linha de tempo entre obras similares entre artistas. A dizer a verdade, o plagio é um dos principais meios de desenvolvimentoartístico entre artesãos, ao ponto de que em muitos casos existe muito pouca variação entre as expressões artísticas entre diferentes autores. A solução para isto, para muitas pessoas, e o fechamento dos processos e ainda dos produtos para outros produtores, o isolamento dos estilos particulares e a criação de vantagens competitivas através dos segredos comerciais. Ao mesmo tempo isso desacelera a criação coletiva e aumenta os custos da produção, sem mencionar a fragmentação da identidade coletiva social.</p>
<p><b>3. A apropiação das expressões artísticas através da propriedade intelectual.</b> Entretanto que existem muitas abordagens que justificam a propriedade intelectual, o mais questionável tem que ver com a remuneração para aquele criador que tem investido esforço para a criação das suas obras. Porém, desde um ponto de vista social, uma grande parte deste conhecimento e esforço esta baseado na influência feita pelo entorno, de modo que a valoração do esforço, e portanto, da validade da propriedade como é avaliado hoje em dia. A inovação foi possível antes sem a necessidade de restrições ao uso das obras, ou também em muitos casos da copia (interna ou desde sistemas externos) foi importante para a inovação, e continua assim até hoje. A industria da moda é um exemplo de como a criação pode permanecer a mesma num oficio sem precisar de apelar à propriedade intelectual, permitindo assim o remix de influências de todos os tipos.</p>
<p>Como conclusão, o design aberto oferece um caminho já anteriormente recorrida por nossas sociedades. Procura a criação e disseminação de influências e a inclusão do criador como protagonista e membro da sociedade, sempre quando as maiorias podem ser também protagonistas de essas mesmas historias. <em>Sharing is caring.</em></p>
<p><em>*Emilio Velis nasceu em El Salvador e trabalha ao redor do conhecimento e cultura libre. Este texto foi publicado inicialmente  no site <a href="http://designlivre.org/design-livre-primitivo/" target="_blank">Design Livre</a>. </em></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Desenhando espaços híbridos abertos</title>
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		<pubDate>Thu, 13 Dec 2012 12:46:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Futura Media</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Artigo de Bernardo Gutiérrez (@bernardosampa), fundador de Futura Media.  A realidade física não existe. O mundo virtual também não. Agora uma frase-explicação: apenas existem os espaços híbridos, a mistura do off e on, do digital e do analógico. Nesta nova realidade híbrida as dinâmica do mundo digital contagiam as inércias dos territórios físicos. E o mundo físico é [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://futuramedia.net/transversalidades/desenhando-espacos-hibridos-abertos/attachment/basic-rgb-2" rel="attachment wp-att-1049"><img class="aligncenter size-large wp-image-1049" title="Basic RGB" src="http://futuramedia.net/wp-content/uploads/2012/12/dreamhamarpeque-558x389.jpg" alt="" width="558" height="389" /></a></p>
<p><em>Artigo de Bernardo Gutiérrez (@bernardosampa), fundador de Futura Media. </em></p>
<p><strong>A realidade física não existe. O mundo virtual também não. Agora uma frase-explicação: apenas existem os espaços híbridos, a mistura do off e on, do digital e do analógico. Nesta nova realidade híbrida as dinâmica do mundo digital contagiam as inércias dos territórios físicos.</strong> E o mundo físico é uma peça vital para construção de ambientes digitais. A fusão de ambos constrói um novo espaço, uma <a href="http://ecosistemaurbano.org/tag/domenico-di-siena/">quarta dimensão</a> que havia intuído Michel Foucault com sua <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Heterotopia_(space)">heterotopía</a> ou Edward W Soja com seu <a href="http://www.thirdspacetoledo.org/1/post/2012/2/edward-soja-thirdspace-spatial-theory.html">terceiro espaço</a>. As redes digitais &#8211; que alguns chamam de redes sociais &#8211; se entrelaçam com as comunidades do mundo físico. E ambas se retroalimentam. As interações digitais, os conteúdos compartilhados e/ou geolocalizados, os <em>streamings</em>, transformam o espaço físico em um novo território emergente, conectado e híbrido.</p>
<p><strong>A imagem que abre este post pertence ao projecto <strong><a href="http://www.dreamhamar.org/">Dream Hammar</a>,</strong> do estúdio <strong><a href="http://ecosistemaurbano.org/">Ecosistema Urbano</a>.</strong> Foi realizado na cidade de Hamar, na Noruega. E é, na minha opinião, um caso exemplar de estratégia de criação de espaços híbridos. Como mostra o gráfico, a construção da praça foi baseada no diálogo e co-criação de plataformas digitais e no território.</strong> O laboratório digital dialoga com o laboratório físico; as ações urbanas se unem ao conteúdo acadêmico digital criado para a ocasião. Dream Hamar é uma realidade híbrida. Construiu comunidade. Trabalhou em rede.</p>
<p><strong>Existem algumas regras para construir espaços híbridos? Eu acho que não existem princípios definitivos nem regras absolutas e sim alguns pontos que se devem entender. Decidi remixar três textos que considero brilhantes sobre o tema. Eles servem tanto para criar um site quanto para construir uma praça. Alguns pontos são contribuições próprias</strong>. O primeiro texto é <a href="https://www.gov.uk/designprinciples">Princípios do Design</a> do Governo britânico. O segundo, o <a href="http://uvs.propositions.org.uk/uvsshortver.html">Urban Versioning System 1.0.1 (UVS)</a> do escritor <a href="http://www.spc.org/fuller/">Matthew Fuller</a> e do urbanista/designer <a href="http://www.haque.co.uk/">Usman Haque</a>. O terceiro, <strong><a href="http://www.airoots.org/2008/09/12-principles-for-an-architecture-of-participation/">12 princípios para uma arquitetura da participação</a>,</strong> de Rahul Srivastava e Matías Echenove, do estúdio <a href="http://www.airoots.org/">Airoots</a>.</p>
<p>1. <strong>Comece com necessidades</strong> (necessidades dos usuários, não do Governo). O processo do design deve começar identificando e considerando as necessidades dos usuários. É fundamental encontrar mecanismos inclusivos. Além disso, encontrar uma forma eficiente de alcançar um objetivo comum é mais importante do que o próprio objetivo.</p>
<p>2. <strong>Faça as coisas abertas.</strong> Devemos compartilhar o que temos o mais rápido possível. Com os colegas, com os usuários, com o mundo. Compartilhe o código, compartilhe projetos, compartilhe idéias, compartilhe intenções, compartilhe as falhas. Quanto mais olhos estiverem em algo, melhor será. A abertura do código é necessária para uma verdadeira participação ativa da comunidade.</p>
<p>3. <strong>Comunique-se</strong>. Comunique-se sempre, comunique-se em tempo real. Todos devem ter acesso às últimas informações. Ouça o que diz a comunidade e incorpore de forma que se possa ser modificado/ajustado ao longo do caminho.</p>
<p>4. <strong>Crie processos.</strong> Esqueça dos produtos e até mesmo dos serviços. Esforce-se apenas para construir as condições favoráveis para o surgimento de um processo compartilhado, aberto e criativo. Transformar um objeto &#8211; web ou praça &#8211; um processo requer uma mudança absoluta de atitude. O conteúdo do projeto será fornecido pela rede e/ou comunidade. Concentre-se em garantir uma infra-estrutura/arquitetura que incentive a participação e em transmitir uma atitude que garanta processo aberto.</p>
<p>5. <strong>Construa mais do que design</strong>. Pare de mistificar o design e o planejamento. Aposte pela construção imediata e coletiva. Vivemos na época do <a href="http://es.wikipedia.org/wiki/Prototipo">prototipado</a>, do mãos à obra, do trabalho coletivo, das versões em beta (não definitivas). Estamos entrando na era dos <a href="http://www.amazon.com/Makers-The-New-Industrial-Revolution/dp/0307720950">makers</a>: precisamos de muitos fazedores e não tantos pensadores. Apenas avançaremos remixando <em>learning by doing</em> (aprenda fazendo) desde o coletivo.</p>
<p>6. <strong>Compartilhe</strong>. Não se sinta o dono do projeto. Ou melhor, deixe que os outros sintam-se também proprietários do projeto. O objetivo é ter as melhores soluções para todos, não soluções individuais.</p>
<p>7. <strong>Remixe</strong>. Não é preciso inventar a roda novamente. Descubra o que está funcionando em outros lugares e adapte-o às necessidades locais e atuais. Que o <a href="http://es.wikipedia.org/wiki/Copyleft">copyleft</a>  guie seus passos. Se alguém está fazendo o mesmo, não repita trabalhos, incorpore-lo em sua rede. Copie, remixe, para incentivar a comunidade.</p>
<p>8. <strong>Construa links.</strong> Entenda o link não apenas como algo físico que mantém várias coisas conectadas. O link é mais conceitual que material: é o lugar onde as forças se mediam e se enfrentam. O link é onde as partes se unem, se propagam e onde se transformam as tensões. As interfaces, os protocolos, as telas digitais são links. Os links são pontos de entrada para apoiar, contrastar ou até mesmo para comparar sistemas.</p>
<p>9. <strong>Faça simples.</strong> Entenda a frase mítica do publicitário Leo Burnett: &#8217;make it simple&#8217;. Fazer que algo pareça simples é fácil: fazer que algo seja simples de usar é mais difícil, especialmente quando os sistemas de base são complexos. A simplicidade torna algo acessível. Por isso, você deve construir coisas/espaços  o mais abrangente e legível possível.</p>
<p>10. <strong>Crie um protocolo aberto. </strong>A chegada da era 2.0 aposentou os portais de informação centralizada e vertical. Então, criar plataformas, mais horizontais e participativas tornou-se o objetivo. Construir plataformas, ainda é uma boa idéia. Mas na era do pró-comum e das novas conexões P2P entre pessoas, coletivos, empresas, governos, o objetivo é criar um protocolo replicável, aberto e livre. Em informática, um protocolo é uma convenção que possibilita uma conexão, comunicação, transferência de dados entre dois sistemas. Um protocolo é a regra que governa a sintaxe, semântica e sincronização da comunicação. Uma web/praça terá sucesso na medida em que seu conjunto de ferramentas, metodologia, infra-estrutura e de conteúdo sejam facilmente replicáveis. O <a href="http://howtocamp.takethesquare.net/">How to occupy</a> da plataforma <a href="http://www.takethesquare.net">Take the square</a>  tornou-se um protocolo aberto, compartilhado, remixado e multiplicado com grande sucesso.</p>
<p>11. <strong>Seja flexível.</strong> Não imponha uma forma e um processo. Melhor: adapte seu design às diferentes realidades. Que o <em><a href="http://es.wikipedia.org/wiki/Dise%C3%B1o_web_adaptativo">responsive Web Design</a>,</em> que usa estruturas e imagens fluidas para adaptar o site para o ambiente do usuário e diferentes plataformas, te inspire. E não só em ambientes digitais. Entregue-se ao combinado de espaços abertos adaptáveis, arquiteturas flexíveis e materiais maleáveis.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>A era adhócrata</title>
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		<pubDate>Tue, 04 Dec 2012 17:11:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Futura Media</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Artigo de Bernardo Gutiérrez, fundador de Futura Media, publicado na revista Select #7. Cory Doctorow, um importante escritor de ficção científica e ativista digital, imaginou um mundo sem burocratas em seu primeiro romance, Down and Out in Magic Kingdom, em 2003. No futuro utópico retratado no livro, os fãs dirigem a Disney World e a reputação [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://futuramedia.net/inovacao/a-era-adhocrata/attachment/captura-de-tela-2012-12-03-as-14-05-15" rel="attachment wp-att-1017"><img title="Yorokobu" src="http://futuramedia.net/wp-content/uploads/2012/12/Captura-de-tela-2012-12-03-%C3%A0s-14.05.15.png" alt="" width="577" height="539" /></a></p>
<p><em><em><em>Artigo de Bernardo Gutiérrez, fundador de Futura Media, publicado na revista</em> Select #7.</em></em></p>
<p><strong>Cory Doctorow, um importante escritor de ficção científica e ativista digital, imaginou um mundo sem burocratas em seu primeiro romance, Down and Out in Magic Kingdom, em 2003. No futuro utópico retratado no livro, os fãs dirigem a Disney World e a reputação social é a moeda mais valiosa.</strong> O interesse dos políticos é desenvolver projetos participativos de cultura popular. Burocratas simplesmente não existem. O mundo, governado por uma equipe rotativa e multidisciplinar distancia-se do passado distópico e das democracias imperfeitas do século 20.</p>
<p>D<strong>octorow batizou seu sistema ideal de governo de “adhocracia”, mas, na verdade, não estava inventando nada. O conceito foi criado pelos pensadores Warren G. Bennis e Philip E. Slater, em 1964, ao tentarem descrever um novo modelo de organização flexível e inovador.</strong> Na Segunda Guerra Mundial, já havia sido formulado um protótipo de organização desse tipo: equipes ad hoc, que os exércitos militares montavam e dissolviam depois de completar uma missão específica e transitória. Mas foi nos anos 1970 que o conceito de adhocracia foi amadurecido por pensadores como Henry Mintzberg e Alvin Toffler. Ambos desconfiavam de um mundo vertical. Soluções quadradas. Especialistas puros. O aparelho pesado das grandes organizações. Governos. Burocracias. Por isso, se esforçaram para criar um imaginário adhocrata, um corpo teórico de organização multidisciplinar e dinâmica.</p>
<p><strong>O futuro imaginado por Cory Doctorow chegou. É o presente. A crise econômica mundial e a popularização da internet estão implodindo um modelo enroscado em velhos paradigmas. Estamos aterrissando com tudo na era do poder (cracia) ad hoc (aqui e agora)</strong>. Organizações “post-it”. Grupos “pop-up” de ação. Organizações claramente adhocráticas. Mas com um toque de inteligência coletiva, colaboração, crowdsourcing e descentralização que os teóricos dos anos 1970 não anteciparam.</p>
<p><strong>Exemplos não faltam. Uma legião de tradutores gera títulos e legendas de séries, filmes e documentários com total eficiência. Qualquer fórum de cidadãos – forocoches.com, burbuja.info etc. – substitui os especialistas dos mais seletos clubes</strong>. Soluções urbanísticas são cozinhadas, em conjunto, por geeks, vizinhos, planejadores, designers e artistas (como faz o grupo de Ecossistemas Urbanos ou o coletivo belga Lateral Thinking Factory).</p>
<p><strong>De que conexão improvável uma organização precisa para deixar de ser burocrática? Os novos modelos que surgiram num mundo digitalizado se encaixam nas definições clássicas de adhocracia? Que organograma teria uma adhocracia perfeita?</strong> Henry Jenkins, em seu livro Cultura da Convergência (2006), descreveu a adhocracia da seguinte forma: “Ela é caracterizada pela falta de hierarquia. Cada pessoa enfrenta um problema com base em seus próprios conhecimentos e habilidades, e as lideranças mudam conforme o projeto evolui. É uma cultura que transforma o conhecimento em ação”. O estático, nas palavras de Jenkins, torna-se uma “tensão dinâmica” constante.</p>
<p><strong>Reputação, valor da mudança</strong></p>
<p><strong>Não seria a adhocracia, no novo milênio, mais um roteiro que uma organização? Um estado de espírito poroso que permeia tudo? Uma nova receita do conhecimento remixada? Um novo marco para a convivência entre disciplinas?</strong> Marco Lampugnani, do escritório de arquitetura italiana Snarkive, fornece algumas pistas ao descrever seu trabalho na cidade italiana de Auletta: “Nós reconhecemos a impossibilidade de ter projetos complexos; abraçamos habilidades pouco ortodoxas e a participação na sociedade para além da simples comunicação”. Os projetos não são mais algo fechado, alfa final. Tudo acontece a um “estado beta eterno (instável, inacabado)”, como muitas vezes disse Ethel Baraona, fundadora do estúdio DPR-Barcelona.</p>
<p><strong>Curiosamente, Baraona é uma das curadoras associa- das da Bienal de Design de Istambul, a ser realizada em outubro, que tem como eixo a adhocracia</strong>. “Bem-vindo à era da adhocracia”, diz o curador Joseph Grima. “Ela atravessa as convenções e dinamiza estruturas para capturar oportunidades, auto-organizações, e desenvolve metodologias de produção inesperadas.”</p>
<p><strong>A adhocracia, continua, “habita a horizontal, o reino rizomático de redes em que a inovação – inventiva, subversiva, não dogmática, espontânea – pode vir de qualquer lugar”.</strong> Esse roteiro do novo milênio privilegia as conexões em detrimento dos objetos, pessoas ou produtos. Os fios de ligação são mais importantes que a existência física de elementos isolados.</p>
<p><strong>A adhocracia, na era digital, está disfarçada de inteligência coletiva, conforme foi preconizada por Pierre Lévy. Anda de mãos dadas com o espírito coletivo da Wikipedia. Namora com o novo tipo de ilustração fomentada por amadores de que fala o sociólogo Antonio Lafuente</strong>. Mescla-se aos sistemas colaborativos de troca da sociedade P2P vislumbrados por Yochai Benckler. E sua definição se transforma, direcionando os novos territórios oblíquos do teórico Peter Walsh para a fusão com a horizontalidade das redes.</p>
<p><strong>Voltemos a um detalhe do utópico mundo adhocrata de Cory Doctorow para nos aprofundarmos em sua moeda oficial, o Whuffie: uma moeda efêmera, social e praticamente intangível. O Whuffie é como a reputação social da pessoa. Algo como a pontuação em sites de leilões como o eBay ou de comunidades de viajantes como o CouchSurfing</strong>. Traduzindo: é como se o carma de agregadores de notícias como o Digg ou Slashdot tivesse um valor monetário. A reputação funciona como uma moeda. A ligação entre as partículas gera a reputação. E a rede ligada à adhocracia, além de resolver problemas coletivos, cria um sistema sustentável, onde não há espaço para a solidão das partículas subatômicas.</p>
<p><em>Ilustração: <a href="http://www.velckroartwork.com/" target="_blank">Velckro</a>, licença Creative Commons. </em></p>
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		<title>A era dos processos</title>
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		<pubDate>Fri, 30 Nov 2012 21:53:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Futura Media</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Artigo de Bernardo Gutiérrez, fundador de Futura Media, publicado na revista espanhola Yorokobu. Alguém deveria remixar aquela frase de John Lennon (ou era de Eric Clapton?): &#8220;Life is a what happens to you while you are busy making other plans&#8221; (A vida é o que acontece enquanto você está ocupado fazendo outros planos). Pode ser [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://futuramedia.net/inovacao/a-era-dos-processos/attachment/proceso-2" rel="attachment wp-att-1006"><img class="aligncenter size-full wp-image-1006" title="proceso" src="http://futuramedia.net/wp-content/uploads/2012/11/proceso1.jpg" alt="" width="640" height="400" /></a></p>
<p><em>Artigo de Bernardo Gutiérrez, fundador de Futura Media, publicado na revista espanhola <a href="http://www.yorokobu.es/" target="_blank">Yorokobu.</a></em></p>
<p>Alguém deveria remixar aquela frase de John Lennon (ou era de Eric Clapton?): &#8220;Life is a what happens to you while you are busy making other plans&#8221; (A vida é o que acontece enquanto você está ocupado fazendo outros planos). Pode ser um simples remix, uma maquiagem: a vida é isso que acontece enquanto você não consegue um objetivo. Ou melhor: a vida é o que acontece enquanto você perambula por um processo imprevisível. Façamos um teste. Olhe para a sua tela do seu computador. Veja-a como algo mais do que um conjunto de plasma e alumínio. Enxergue-a, por exemplo, como uma soma de rascunhos, protótipos não usados, distribuição, conversação, pesquisas de mercado, reuniões, recomendações, melhorias e futuras reciclagens.</p>
<p>Vamos dar um passo adiante. Segue uma frase fatídica: os objetos não existem. Não se esforce em tentar entendê-la: os contornos das coisas se diluem. Os objetos são algo mais. Uma experiência coletiva em um espaço atemporal e distribuído, por exemplo. E só existem graças a um processo compartilhado.</p>
<p>Agora alguns argumentos. Em 2006, o reverenciado Tim O &#8216;Reilly, deixou claro que a era do 1.0 foi caracterizada pelos &#8220;produtos&#8221;. A era do 2.0 que inaugurava em <a href="http://sociedadinformacion.fundacion.telefonica.com/DYC/SHI/seccion=1188&amp;idioma=es_ES&amp;id=2009100116300061&amp;activo=4.do?elem=2146">aquele texto mega citado esteve protagonizado pelos serviços</a>. Algo lógico: não entendas um site como um produto, mas como um serviço <a title="Click to Continue &gt; by DealDropDown" href="http://www.yorokobu.es/la-era-de-los-procesos/">web</a>. E nesta nascente mutação da Internet 3.0 – <a href="http://es.wikipedia.org/wiki/Web_3.0">essa mescla de web semântica, território interativo e geolocalização</a> – aterrizamos em cheio na era dos processos.</p>
<p>Não se esforce: nunca chegarás a versão alfa, definitiva, de nada. O mundo está melhor em beta: constantemente em testes, investigação e processo. Para aqueles que siguem pensando que o seu computador é apenas um pedaço de alumínio, aqui vão seis argumentos (em beta) sobre a era dos processos.</p>
<p><strong>A informática é um processo.</strong> Desde que Richard Stallman saiu do prestigiado Massachusetts Institute of Technology (MIT) pela rigidez de suas patentes, o mundo da informática deu uma guinada radical. Stallman, hackeando os princípios do copyright, criou a licença copyleft. E com isso brindou a programadores e usuários de todo o mundo a liberdade de copiar, distribuir, estudar, modificar e melhorar o software.</p>
<p>Existe melhor exemplo de processo que um programa de software livre em constante mudança, melhora e remix? O código fonte de um programa é apenas uma primeira linha de um processo imprevisível. O sucesso do <a href="http://es.wikipedia.org/wiki/Linux_(n%C3%BAcleo)">sistema operativo Linux</a>, em constante melhora graças a uma comunidade distribuída de programadores, colocou em xeque-mate os produtos fechados da Microsoft. E o movimento <a href="http://es.wikipedia.org/wiki/C%C3%B3digo_abierto">open source</a>, que libera o código de programação mesmo que não comparte todos os princípios éticos do movimento de software livre, está colocando de ponta a cabeça o mundo tecnológico.</p>
<p>Abra seu código. Colabora no processo. O que Stallman não suspeitava é que sua ética informática, seu copyleft, contaminaria a outras áreas como a cultura.</p>
<p><strong>Arquitetura é um processo.</strong> Se você é vereador em urbanismo, esqueça de inaugurar praças com fontes cheias de patos de mármore falso. Se você é um cidadão, concentre-se nesta frase: não necessitamos a arquitetura, temos o Facebook.</p>
<p>É o título de um artigo polêmico do arquiteto holandês <a href="http://issuu.com/edwingardner/docs/no_need_for_architecture">Edwin Gardner</a>. Na verdade, <a href="http://es.wikipedia.org/wiki/C%C3%B3digo_abierto">nas palavras do próprio autor</a>,  a frase era uma provocação para enfatizar que &#8220;uma das funções da arquitetura urbana é criar espaços para o discurso social e muitos discursos sociais têm sido habilitados pela internet e pelas redes sociais&#8221;.</p>
<p>O espaço virtual convive com o espaço material e o processo urbanístico bottom up &#8211; de baixo para cima &#8211; tornou-se o epicentro do novo urbanismo. O <a href="http://elcampodecebada.org/">Campo de Cebada em Madri</a>, um <a href="http://www.getxoberpiztu.com/index_es.asp">solar coletivo em Getxo</a>, o projeto <a href="http://www.dreamhamar.org/category/blog/">Dreaming Hammar da Noruega</a> (cozinhado de forma colaborativa por Ecosistema Urbano) ou uma <a href="http://kabia.errenteria.net/es/">praça de gestão comunal em Errentería</a> são provas líquidas (não dá pra dizer sólidas, perdão) da pujante arquitetura-processo. O fato de que alguns arquitetos estejam subindo suas plantas para a web com licença <a href="http://blogs.20minutos.es/codigo-abierto/2012/02/09/la-arquitectura-se-sube-al-tren-creative-commons/">Creative Commons</a> também reforça o processo-remix contra a obra física.</p>
<p><strong>A cultura é um processo.</strong> Tente esquecer a cultura estática e o público passivo. A cultura como sinônimo de produtos físicos (papel, plástico) foi apenas um pesadelo do passado. <a href="http://blogs.20minutos.es/codigo-abierto/2012/06/11/hacia-una-gestion-horizontal-de-la-cultura/">A nova gestão horizontal da cultura</a> dinamita tudo. Um evento, digamos um concerto ou um recital poético, deixa de ser algo exclusivamente presencial. Se multiplica graças à ferramentas de streaming e à vida paralela em rede social.</p>
<p>O presencial tem um constante feedback em diferentes áreas e a retransmissão diferida perpetua o evento ou criação. Embora possa ser o cinema o campo que melhor resume o paradigma da cultura como um processo.</p>
<p>O filme espanhol <a href="http://www.elcosmonauta.es/">O cosmonauta</a>, que há anos está em processo de co-financiamento e co-criação, é cine-processo em estado puro. Durante três anos contaram com a ajuda de 3.757 produtores e 502 investidores (microfinanciadores). Eles levantaram cerca de 500.000 euros coletivamente e têm estimulado um intenso debate em rede durante a filmagem.</p>
<p>O documentário de Stéphane Grueso <a href="http://www.15m.cc/">15M.cc</a>, sobre o movimento 15M, confirma o caminho processual da cultura. O cineasta sobe para um blog, além de YouTube, as entrevistas que realiza na íntegra. É possível que algumas das pessoas que acompanham o processo das entrevistas nunca assistam ao produto final. O documentário-produto não é tão importante, mas sim o processo compartilhado. Como se fosse pouco, as imagens em bruto estão disponíveis online. Qualquer pessoa pode editar o seu próprio documentário. E o processo tende a ser infinito.</p>
<p><strong>Os objetos são processos.</strong> Não insista: sua tela é muito mais do que um objeto. Os edifícios, como dissemos, não são exclusivamente algo físico. E o seu carro poderíamos parar de considerá-lo como um conjunto de peças e design. <a href="http://www.fiatmio.cc/">O caso do Fiat Mio</a>, modelo que a multinacional italiana co-desenhou com os usuários, confirma a supremacia do processo sobre o objeto. E os projeto <a href="http://www.localmotors.com/">Local Motors</a>, em que se desenham carros com um <em>crowd sourcing</em> distribuído e aberto, aperfeiçoa o carro work in progress.</p>
<p><strong>O marketing é um processo.</strong> Já não existem marcas, apenas plataformas sociais. Já não funciona a publicidade disruptiva (eu te vendo a moto, você assiste no seu sofá). Já não serve falar do mesmo em um comercial fechado. Se a sua estratégia para vender consiste em contratar um famoso para, por exemplo, comer chocolate em um anúncio, talvez deveria pensar em mudar de profissão.</p>
<p>Se abusar do storytelling (um cineasta conhecido faz um clipe comercial), sua marca pode estar em perigo. Se você conseguir que a comunidade de consumidores fale sobre sua marca e conte histórias sobre ela, então sobrevivirá.</p>
<p>E certamente você goste da definição (em beta) de <a href="http://www.elpuntodelgazpacho.com/commons-marketing/"><em>commons marketing</em> de Olmo Gálvez</a>: &#8221;uma estratégia de marketing distribuída na qual pessoas, grupos e instituições conectadas por uma idéia, transformem, distribuam e façam sua própria rede, começando de um DNA previamente gerado, em benefício da sociedade em geral&#8221;.</p>
<p>E certamente você goste da campanha ‘Name your plane’ de co-criação que Boeing lançou para cozinhar seu modelo Dreamliner. Bem-vindos ao avião-processo: meio milhão de pessoas de 166 países contando histórias em torno de sua fabricação.</p>
<p><strong>A democracia é um processo.</strong> A democracia 1.0 consistia em um objeto: um parlamento físico ocupado por pessoas fixas que se regia por regras quase inalteráveis. A democracia objeto, estática durante quatro anos (ou mais, dependendo do país), rompe o verticalismo em um dia de participação (eleições). Mas o código fonte é proprietário: ninguém pode mudar.</p>
<p>A democracia 2.0 é um serviço de um grupo de profissionais ou de um país para um grupo de cidadãos. Está baseada no diálogo e na participação. As consultas são constantes. Hum. Certo: a democracia, com rarísimas exceções, continua sendo um objeto 1.0. Um objeto monolítico, vertical, de contornos fixos e software proprietário. No entanto, certos mecanismos de inovação social lançados pelo movimento 15M ou por Ocupar Wall Street, avança a uma democracia 3.0 em rede, distribuída e em tempo real. Durante a explosão do 15M se destacou muitíssimo a importância do processo, da convivência, de coletivamente buscar soluções em diferentes assembleias populares.</p>
<p>Alguns protótipos de participação política como o <a href="http://www.platoniq.net/yeswecamp/">Twittómetro</a> (que permitia votar via Twitter as decisões da assembleia da Puerta del Sol) ou o projeto <a href="http://www.platoniq.net/yeswecamp/">Demo 4.0</a> (que permitiria a votação cidadã de cada lei à custa de diminuir as cadeiras dos deputados) iluminam o futuro próximo da democracia-processo. A deliberação, a co-criação de soluções, o outsourcing legislativo, acabarão substituindo a democracia objeto. O processo já começou.</p>
<p><em>Imagem de <a href="http://www.flickr.com/people/mazz78/" target="_blank">Mazzarello Media and Arts</a>, licença Creative Commons.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Cidade em tempo real</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Nov 2012 17:54:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Futura Media</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Este artigo foi escrito originalmente por Bernardo Gutiérrez (@Bernardosampa no Twitter), fundador da Futura Media, para o prestigioso jornal espanhol 20 Minutos, finalista em 2011 e 2012 da Online News Association Conference &#38; Awards Banquet. A cidade como um conjunto inconexo de fotografias. A cidade como um fluxo de imagens distribuídas, geolocalizadas, compartilhadas. Sua cidade como uma soma [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://futuramedia.net/politica/cidade-em-tempo-real/attachment/ciudadentiemporeal-3" rel="attachment wp-att-990"><img class="aligncenter size-full wp-image-990" title="ciudadentiemporeal" src="http://futuramedia.net/wp-content/uploads/2012/11/ciudadentiemporeal2.png" alt="" width="500" height="246" /></a></p>
<p><em>Este artigo foi escrito originalmente por Bernardo Gutiérrez (@Bernardosampa no Twitter), fundador da Futura Media, para o prestigioso jornal espanhol 20 Minutos, finalista em 2011 e 2012 da <strong><a href="http://ona12.journalists.org/">Online News Association Conference &amp; Awards Banquet</a>.</strong></em></p>
<p><span><strong>A cidade como um conjunto inconexo de fotografias. A cidade como um fluxo de imagens distribuídas, </strong></span><strong>geolocalizadas,</strong><span><strong> <wbr>compartilhadas. Sua cidade como uma soma de olhares subjetivos. O funcionamento do projeto </wbr></strong></span><strong><a href="http://now.jit.su/" target="_blank">This is Now</a> </strong><strong>é simples: </strong><strong>apresenta </strong><strong>em tempo real fotos realizadas na </strong><strong>rede social móvel </strong><strong><a href="http://instagram.com/" target="_blank">Instagram</a> que</strong><strong> contenham geolocalização.</strong> São Paulo, por exemplo, às 7.19.02 Pm da última segunda-feira, configurava a imagem que abre este post. <em>This is Now,</em> do estúdio australiano <a href="http://lexicalgap.com.au/" target="_blank">LexicalLab</a><em>,</em> <wbr>recopila informação em tempo real de cidades como Nova York, Los Angeles, Madri, São Paulo, Londres, Sydney ou Tóquio, entre outras e prova que estamos assistindo ao nascimento de uma cidade em tempo real construída en rede em torno da não hierarquia. Uma cidade com novas camadas de informação, de dados compartilhados e de novas relações humanas. As cidades já são, como afirma a socióloga <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Mimi_Sheller" target="_blank">Mimi Sheller</a>, &#8221;fluxos de pessoas, veículos e informação&#8221;.</wbr></p>
<p><strong><em>This is now</em></strong><span style="color: #333333; font-family: Georgia, 'Times New Roman', 'Bitstream Charter', Times, serif;"><strong> não é o único projeto que cria uma nova pele digital informativa sobre cidades físicas. O projeto </strong></span><strong><a href="http://www.we-love-the.net/Stweet" target="_blank">Stweet</a>,</strong><strong> do estúdio </strong><strong><a href="http://www.we-love-the.net/" target="_blank">We Love the net</a>, </strong><strong>sobrepõe </strong><strong>mensagens do Twitter geolocalizadas sobre imagens do Google Street Map. Mais </strong><strong>disruptivo</strong><strong> e libertário é o projeto </strong><strong><a href="http://www.megafone.net/SAOPAULO" target="_blank">Canal Motoboy</a></strong><strong>, que o artista catalão </strong><strong><a href="http://virgula.uol.com.br/ver/noticia/inacreditavel/2012/08/23/307227-artista-integra-arte-e-tecnologia-ao-cotidiano-de-motoboys-paulistanos" target="_blank">Antoni Abad lançou en São Paulo</a>:</strong><strong> um canal informativo em tempo real realizado pelos populares </strong><strong><em>motoboys</em></strong><strong>.</strong> O canal inclui notícias, vídeos, a situação do trânsito de várias ruas e compete com &#8216;inteligência coletiva&#8217; contra a mídia tradicional. Aquele jornal de Hong Kong que demitiu alguns fotógrafos e entregou câmeras aos ágeis entregadores de pizza da cidade (explicado no <a href="http://www.lavanguardia.com/cultura/20110511/54152218372/por-un-manifiesto-posfotografico.html" target="_blank">Manifesto pós-fotográfico</a> de Joan Fontcuberta) entendeu algo do novo paradigma do <em>real time</em>. A velha mídia, quase nada: ainda querem chegar primeiro.</p>
<p><strong><span style="color: #333333; font-family: Georgia, 'Times New Roman', 'Bitstream Charter', Times, serif;">Proponho um remix. O primeiro ingrediente seria o conceito de </span><em>media building </em>(edificio informativo) de <a href="http://es.wikipedia.org/wiki/Paul_Virilio" target="_blank">Paul Virilio</a>,</strong><span style="color: #333333; font-family: Georgia, 'Times New Roman', 'Bitstream Charter', Times, serif;"><strong> &#8221;um edifício que abriga mais informação que casas&#8221;, como uma metáfora da nova cidade. Segundo: a </strong></span><strong><a href="http://caiovassao.com.br/2012/03/14/urbanidade-distribuida/" target="_blank">ciudad distribuida</a> </strong><strong>proposta pelo urbanista brasileiro </strong><strong><a href="http://caiovassao.com.br/" target="_blank">Caio Vassão</a>,</strong><strong> uma cidade sem centro nem periferia, com uma topologia de rede distribuída e nós interconectados. </strong>O resultado seria uma cidade não-centralizada, com novas camadas de informação cidadã e novas interações em rede. Uma espécie de <a href="http://ciudadtransmedia.wordpress.com/" target="_blank">cidade transmídia</a> que incumbe igualmente os meios de comunicação e instituições urbanas.</p>
<p><strong><br />
</strong></p>
<p><iframe src="http://player.vimeo.com/video/2352567" frameborder="0" width="500" height="282"></iframe></p>
<p><a href="http://vimeo.com/2352567">BCNoids Reel</a> de <a href="http://vimeo.com/user931095">enrique soriano</a> no <a href="http://vimeo.com">Vimeo</a>.</p>
<p><span style="color: #333333; font-family: Georgia, 'Times New Roman', 'Bitstream Charter', Times, serif;"><strong>Para entender esta cidade transmídia, distribuída, informativa e em tempo real temos que falar de uma nova equação: dados abertos e visualizações. Neste blog eu citei alguns projetos de </strong></span><strong><a href="http://blogs.20minutos.es/codigo-abierto/2012/02/24/gran-bretana-desde-arriba/" target="_blank">visualizaciones en Gran Bretaña</a></strong><span style="color: #333333; font-family: Georgia, 'Times New Roman', 'Bitstream Charter', Times, serif;"><strong> (bicicleta e táxis de Londres, tráfego aéreo) ou o </strong></span><strong><a href="http://blogs.20minutos.es/codigo-abierto/2012/06/01/la-ciudad-vista-como-un-flujo-de-llamadas-moviles/" target="_blank">Ville Vivante</a></strong><span style="color: #333333; font-family: Georgia, 'Times New Roman', 'Bitstream Charter', Times, serif;"><strong> (chamadas celulares de Genebra).</strong> O investigador </span><a href="https://twitter.com/francastillo" target="_blank">Fran Castillo</a>,<span style="color: #333333; font-family: Georgia, 'Times New Roman', 'Bitstream Charter', Times, serif;"> na web do estúdio </span><a href="http://complexitys.com/software/dynamic-visualization-system-as-a-framework-for-understanding-the-complexity-of-the-city/#more" target="_blank">Complexitys</a>, repassa alguns projetos que visualizam dados cidadãos desta nova e inspiradora <em>real time city</em>. Cita casos como o <a href="http://enriquesoriano.net/BCNoids-en-Habitar" target="_blank">BCNoids Reel</a> (visualização do uso das bicicletas alugadas em Barcelona) ou o <a href="http://senseable.mit.edu/livesingapore/exhibition.html" target="_blank">Live Singapore</a> (realizado pelo <a href="http://senseable.mit.edu/" target="_blank">Senseable City Lab</a> do MIT para visualizar em tiempo real Singapura). Visualizações dinâmicas de novos sistemas complexos compostos por cidadãos, graças à tecnologia móvel, ao movimento <em>open source</em> e às novas ferramentas digitais. A exploração de novas formas, códigos e linguagens das visualizações, como destacado Fran Castillo, &#8220;nos permitem imaginar novas paisagens, máquinas construtoras, que geram novos territórios emergentes&#8221;. Além, qualifica Fran, os dados são a &#8220;chave para um novo empoderamento cidadão&#8221;. Um empoderamento cidadão que questiona o controle vertical dos meios de comunicação e instituições sobre as cidades, sobre a sociedade.</p>
<p><span><strong>Um dos melhores inventários sobre esta </strong></span><strong>incipiente</strong><span><strong> cidade em tempo real é o </strong></span><strong><a href="http://www.laboralcentrodearte.org/en/files/2010/exposiciones/habitar-documentacion/archivos/habitar-revista.pdf" target="_blank">Habitar. Redesenhar a estrutura urbana</a> </strong><span><strong>que o jornalista, comissário e pesquisador </strong></span><strong><a href="https://twitter.com/jldevicente" target="_blank">José Luis de Vicente</a>,</strong><span><strong> preparou para o </strong></span><strong><a href="http://www.laboralcentrodearte.org/" target="_blank">Laboral Centro de Arte de Gijón.</a> </strong><span><strong> Nele aparecem projetos como </strong></span><strong><a href="http://vimeo.com/10198615" target="_blank">Visualizando o tráfego de Lisboa</a>, <a href="http://wiki.medialab-prado.es/index.php/In_the_air" target="_blank">In the Air</a></strong><span><strong> (que mede a poluição do ar graças a sensores cidadãos) ou o </strong></span><strong><a href="http://survival.sentientcity.net/" target="_blank">Sentient City Survival Kit</a> </strong><span><strong>(que explora as implicações sociais, culturais e políticas da computação </strong></span><strong>ubicua</strong><span><strong>).</strong> Mas o mais interessante de </span><em>Habitar</em><span> são algumas das reflexões dos autores convidados. O britânico Usman Haque pensa em criar </span><a href="http://www.haque.co.uk/papers/notesonthedesignofparticipatorysystems_esp.pdf" target="_blank">cidades participativas</a><span> com as mesmas regras do </span>design de plataformas web. A arquiteta <a href="http://mollywrightsteenson.com/" target="_blank">Molly Wright</a>, em seu texto  <a href="http://www.girlwonder.com/blog/wp-content/uploads/2010/04/steenson-habitar.pdf" target="_blank">Urban software: the long view</a>, tece idéias em torno de &#8220;nossos corpos são o hardware, nosso comportamento, o software&#8221;. A cidade, em suma, como um conjunto de edifícios de informação, como uma rede de corpos que conformam um hardware que facilita novos softwares/processos compartilhados.</p>
<div></div>
<p><a href="http://blogs.20minutos.es/codigo-abierto/files/2012/09/San-Francisco-Local-vs-Tourist.jpeg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1272" src="http://blogs.20minutos.es/codigo-abierto/files/2012/09/San-Francisco-Local-vs-Tourist.jpeg" alt="" width="504" height="503" /></a></p>
<p><em>San Francisco. &#8216;Locals and tourists&#8217;, por Eric Fischer.</em></p>
<p><strong><span style="color: #333333; font-family: Georgia, 'Times New Roman', 'Bitstream Charter', Times, serif;">E aqui chegamos a outras perspectivas, a outras perguntas. Como coagulará esta instantaneidade na memória? Como será recordada esta vertiginosa </span>cidade</strong><strong> em tempo real? Servirão para algo as hemerotecas dos jornais? Os antropólogos </strong><strong><a href="https://twitter.com/acorsin" target="_blank">Alberto Corsin</a> e <a href="https://twitter.com/adolfoestalella" target="_blank">Adolfo Estalella</a>,</strong><strong> em seu ensaio </strong><strong><a href="http://www.prototyping.es/15m/assembling-neighbours-the-city-as-archive-hardware-method" target="_blank">The city as archive, hardware, method</a>, </strong><strong>abordam as assembléias de bairro do movimento 15M espanhol &#8211; reuniões em espaço público, processos de diálogo coletivo, informação compartilhada em redes &#8211; com um ângulo interessante.</strong> As assembléias formariam um novo hardware, um território comum, um método, no qual se baseia a nova cidade em tempo real. As assembléias &#8211; esse hardware &#8211; serão um arquivos vivo em rede. O projeto Personal Positioning System (PPS), do <a href="http://nearfuturelaboratory.com/" target="_blank">Near Future Laboratory,</a> mencionado no catálogo de <em>Laboral</em>, é outro caso de pós-instantaneidade: cria mapas dinâmicos na posição de uma pessoa, uma verdadeira cartografia do fluxo do eu.</p>
<p><span><strong>A arqueologia da cidade em tempo real será sobre as pessoas, não tanto sobre os objetos. Será composta de processos compartilhados, e não de normas jurídicas que regem (proibindo) as cidades. A arqueología será feita de informação em rede, não um conjunto de notícias verticais.</strong> Será parecido com mapas sociais que</span> <a href="http://www.flickr.com/photos/walkingsf/sets/72157623971287575/" target="_blank">Eric Fischer</a> compõe com fotografias geolocalizadas no Flickr. Ou ao projeto <a href="http://perfect.lukedubois.com/" target="_blank">A more perfect Union</a>, de Luke Dubois, em que as cidades são nomeadas pela palavra mais repetida nas redes sociais nesse espaço. A cidade em tempo real será uma arqueologia moldada por todos, um espaço que foi construído para ser habitado, uma soma de wikiruas, de wikipraças, baseado nas relações humanas.</p>
<p><span style="color: #333333; font-family: Georgia, 'Times New Roman', 'Bitstream Charter', Times, serif;">A cidade em tempo real será uma arqueologia de redes ou não será.</span></p>
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		<title>&#8220;Sempre que podemos nos conectar a outros podemos mudar coisas&#8221;</title>
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		<pubDate>Tue, 30 Oct 2012 09:00:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Futura Media</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Imagem: André Lemos &#8220;Talvez estejamos vendo o surgimento de uma sociedade comunicacional planetária e não apenas informacional&#8221;. O sociólogo brasileiro André Lemos conheceu &#8220;as antigas comunidades virtuais no começo da década de 1990, anônimas, temáticas, abertas, sem empresas comerciais por trás&#8221;. Talvez por isso, no seu discurso, abundam conceitos como a &#8220;serendipidade&#8221;, &#8220;empoderamento cidadão&#8221; ou &#8220;conversação&#8221;. [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><div class='two_third last'>
					
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<a href="http://futuramedia.net/?attachment_id=964"><img class="aligncenter size-full wp-image-964" src="http://futuramedia.net/wp-content/uploads/2012/10/andre_lemos.jpeg" alt="" width="640" height="508" /></a></p>
<p><em>Imagem: André Lemos</em></p>
<p><strong>&#8220;Talvez estejamos vendo o surgimento de uma sociedade comunicacional planetária e não apenas informacional&#8221;. O sociólogo brasileiro André Lemos conheceu &#8220;as antigas comunidades virtuais no começo da década de 1990, anônimas, temáticas, abertas, sem empresas comerciais por trás&#8221;. Talvez por isso, no seu discurso, abundam conceitos como a &#8220;serendipidade&#8221;, &#8220;empoderamento cidadão&#8221; ou &#8220;conversação&#8221;.</strong> André Lemos, autor  do blog <a href="http://andrelemos.info/">Carnet de Notes</a> e diretor do <a href="http://gpc.andrelemos.info/blog">GPC &#8211; Grupo de Pesquisa em Cibercidade</a> da Universidad Federal de Bahia, receia das etiquetas que tentam definir o novo mundo. Não gosta de conceitos de &#8216;mídias sociais&#8217; (&#8220;a mídia sempre é social&#8221;) ou Revolução 2.0. Também prefere não abusar de conceitos como &#8216;Cidades P2P&#8217; ou &#8216;Cidade Open Source (&#8220;devemos usar só para ilustrar mas não para compreender os fenômenos&#8221;).</p>
<p>André Lemos,  fundador do <a href="http://www.poscom.ufba.br/">Centro Internacional de Estudos Avançados e Pesquisa em Cibercultura da UFBA</a><strong>, </strong>prefere sugerir uma nova união de objetos e pessoas conectados,  na linha da <a href="http://es.wikipedia.org/wiki/Teor%C3%ADa_del_Actor-Red">Teoria do Ator Rede</a> de Bruno Latour. André Lemos é um dos pioneiros na pesquisa das chamadas <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Locative_media">mídias locativas</a>: comunicação multimídia através de dispositivos móveis e tecnologías GPS, Wi-Fi, <a href="http://es.wikipedia.org/wiki/Sistema_de_Informaci%C3%B3n_Geogr%C3%A1fica">GIS,</a> <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/RFID" target="_blank">RFID.</a>..</p>
<p>Bernardo Gutiérrez (<a href="https://twitter.com/bernardosampa">@bernardosampa</a>), fundador da Futura Media, enviou uma entrevista para André Lemos por mail. Algumas perguntas foram poupadas, porque o entrevistado considerou já ter respondido. Mantemos todas as perguntas originais. A entrevista foi enviada para André Lemos antes de ser publicada para incentivar a máxima transparência e rigor do processo.</p>
<p><strong>O Centro Internacional de Estudos Avançados e Pesquisa em Cibercultura da UFBA nasceu quando a &#8216;cibercultura&#8217; era um termo para definir todo o que acontecia no ciberespaço. Como tem evoluído o Centro nas últimas mutações da Internet? Pode falar de alguns dos projetos mais recentes do Centro?</strong></p>
<p>O Centro Internacional de Estudos Avançados e Pesquisa em Cibercultura da Faculdade de Comunicação da UFBA (Ciberpesquisa) foi criado em 1996, sendo pioneiro nos estudos sobre cibercultura no Brasil. Hoje o centro foi transformado em grupos de pesquisa divididos em duas linhas de pesquisa do Programa de Pós-Graduação da FACOM/UFBA: Jornalismo Online, Democracia e Internet, Interações Sociais Online e Cibercidades. Os grupos são autônomos e atuam na ponta das suas respectivas discussões, produzindo pesquisas e formando pesquisadores em níveis de mestrado e doutorado. O meu grupo (<a href="http://gpc.andrelemos.info/blog">GPC &#8211; Grupo de Pesquisa em Cibercidade </a>) está estudando as mídias locativas, a internet das coisas e as Smart Cities. O que nos interessa é a discussão sobre os processos de espacialização em jogo com as novas mídias digitais, as transformações das práticas sociocomunicativas no espaço urbano.</p>
<p><strong>Têm algumas pessoas que ainda acham que o mundo virtual é uma coisa radicalmente diferente ao mundo real. Porém, cada vez temos mais pontes entre o mundo &#8216;on&#8217; e &#8216;off&#8217;, entre redes e territórios. Que mudanças tem observado nos últimos anos da Internet nessa direção?</strong></p>
<p>Não dá para pensar nessa separação. Nossas ações tomam diversas direções e é apenas com um raciocínio muito simplório e forçado que podemos separar essas dimensões da realidade. As relações estão cada vez mais dependentes do que fazemos com as tecnologias digitais &#8211; email, Twitter, Facebook, YouTube, blogs&#8230;Todas essas ferramentas fazem parte do nosso dia a dia. Não dá para pensar em separação da vida na internet e da vida fora da internet. Só há uma vida e, na verdade, a “internet” é um conceito muito abstrato. Ela não existe sem os lugares que a compõem. E os lugares são sempre compostos por atravessamentos de fluxos, são sempre híbridos, constituídos por dimensões materiais, imaginárias, comunicativas. O atual e o virtual sempre se entrelaçam nos lugares. E isso desde sempre. Mas quando falamos de internet, falamos de um “espaço” abstrato; na realidade de conexão de redes telemáticas ao redor do planeta oferecendo informações e serviços os mais diversos. Mas o que ela é efetivamente vai depender do que é atualizado a cada momento pelos ações de humanos, objetos, máquinas, <em>softwares, </em>dados&#8230; O que fazemos, ao nos conectarmos a um dos “lugares” da internet, é interconectar territórios: informacionais (sobre o conceito de “território informacional” ver meu <a href="http://sac.sagepub.com/content/13/4/403.full.pdf+html">Post—Mass Media Functions, Locative Media, and Informational Territories: New Ways of Thinking About Territory, Place, and Mobility in Contemporary Society.</a>), culturais, identitários, políticos&#8230; usando, por exemplo, o celular na padaria, acessando o Twitter na fila do supermercado, checando um endereço nos mapas digitais, atualizando os <em>softwares</em> de redes sociais com os amigos, enviando um video de um evento para o conhecimentos de outros&#8230; Só há interrelação entre as dimensões sociais, imaginárias e infocomunicacionais. Os exemplos são inúmeros. O difícil é encontrar a divisão pura, encontrar algum lugar em que o entrelaçamento dessas dimensões territoriais (simbólica, informacional, subjetiva, corporal, identitária, geográfica) se desfaça, evitando o híbrido ou o <em>online</em> separado do <em>offline</em>. Transitamos por lugares que estão sempre interconectados.</p>
<p><strong>Martha Gabriel fala de &#8216;cibridismo&#8217;, uma nova esfera onde o &#8216;on&#8217; e o &#8216;off&#8217; se misturam. Como estão modificando o nosso comportamento os celulares, tablets e dispositivos com conexão?</strong></p>
<p>As mídias locativas permitem que as pessoas acessem, produzam e distribuam informações, em mobilidade, a partir dos lugares do espaço urbano. Não é informação que chega e vai para uma ‘Matrix” lá em cima, mas informações que fazem sentido aqui embaixo e agora. As pessoas estão buscando, com essas novas mídias, o que sempre buscaram: fazer sentido. A relação local, de proximidade, identitária, da memória, é isso que faz sentido. A dimensão social é locativa (ver meu manifesto sobre essa dimensão <a href="https://dl.dropbox.com/u/2055897/Locative_Media_Manifesto.pdf">aqui</a>). No primeiro momento da internet, navegar em um mundo de dados e acesar coisas distantes era a única coisa a fazer. Isso é maravilhoso e continuamos a fazer isso. Mas agora, estamos na fase de hiperlocalização da informação, consumido, produzindo e distribuindo informações em mobilidade, sobre os lugares por onde passamos ou onde vivemos. Isso se deu em função da potência e da facilidade de acesso aos dispositivos móveis e as redes sem fio (3G, Wi-Fi). As mídias locativas (tecnologias e serviços informacionais baseados em geolocalização) permitem ancorar a informação e as relações sociais em lugares precisos. Saímos da informação genérica do abstrato ciberespaço e passamos a valorizar a informação hiperlocalizada, acessada, produzida ou distribuída em mobilidade. O espaço urbano volta a ser o palco desse teatro, contrariando os mais apressados que projetaram o fim das cidades, a desterritorialização total da vida em um espaço abstrato, virtual e perigoso. Ora, o que vemos hoje são pessoas se deslocando com potência informacional produzindo discursos os mais diversos e multimidiáticos sobre seus lugares. Da utopia do ciberespaço passamos a “topia” informacional locativa e móvel. Ainda estamos em sua fase inicial, mas já é muito interessante ver com as mídias locativas e móveis permitem que pessoas, antes apenas leitoras de suas cidades, possam falar dos problemas urbanos, postar um video de denúncia, produzir narrativas sobre o seu bairro, exercitar a construção de cartografias colaborativas, articular manifestações para derrubar regimes autoritários&#8230; Mas há muito o que fazer ainda. Podemos agora, mesmo que em potência, ler de outra forma e escrever de forma eletrônica sobre o espaço em que vivemos. Isso é muito interessante.</p>
<p><strong>A industria digital, principalmente a cultural, ainda fica alertando sobre os perigos dos &#8216;downloads&#8217;. Parece que não entenderam que a maior revolução da Internet é o &#8216;upload&#8217;. Muitas pessoas subindo, compartilhando e remixando conteúdo. Por que não enxergam esse lado?</strong></p>
<p>Considero que os três princípios fundamentais das diversas práticas da cultura digital são: a possibilidade de emissão aberta e livre, a interconexão dessas vozes e a reconfiguração cultural. Ora, sempre que podemos falar livremente, nos conectar a outros podemos mudar as coisas. É assim com blogs, com YouTube, com cartografias colaborativas, com redes sociais móveis como SMS e Twitter&#8230;Só há perigo de “<em>uploads</em>”, como você diz, em regimes totalitários. Os regimes democráticos devem saudar essas possibilidades por justamente fortalecer a democracia ou o que os gregos chamavam de “isogonia”. A possibilidade de conversão se ampliou e talvez estejamos vendo o surgimento de uma sociedade comunicacional planetária e não apenas informacional. Acho que as mídias de massa são mídias da informação (um emissor que passa informações para a massa de leitores, ouvintes, espectadores). As novas mídias permitem a produção e emissão de informação sem constrangimentos (em sociedade livres e democráticas, claro), a troca bidirecional e mais horizontalizada, a conversação, o princípio mais importante da comunicação. Gabriel de Tarde chamou a atenção para a importância da conversação no seu <em>Opinião e as Massas</em> no começo de século passado. Acho que estamos vendo essa esfera comunicacional se expandir com a internet (ver o meu <a href="http://andrelemos.info/artigos/conversacao.pdf">Nova Esfera Conversational</a>).</p>
<p><strong> Como está modificando, como vai modificar <strong>a computação ubíqua</strong> a vida de nossas cidades?</strong></p>
<p>Estamos na fase das mídias móveis e da hiperlocalização e também na era da Internet das coisas onde objetos estarão cada vez mais atuando na internet, tomando decisões com uma participação mínima do agente humano. Estamos caminhando para uma interconexão global de objetos e de monitoramento de movimentos de coisas e pessoas. Hoje há cerca de 6 objetos conectados para cada humano conectado à rede mundial de computadores. Teremos assim dois cenários a curto prazo. O primeiro é o do clássico <em>Big Brother</em>, onde esses objetos servirão apenas à automação industrial e a transparência total (Baudrillard) da vida quotidiana. Os <em>gadgets</em> vão tomar conta dos processos infocomunicacionais das nossas casas e cidades (o pesadelo é se transformar um pouco como a casa do <em>Meu Tio</em>, no filme clássico de Jacques Tati), onde o rastreamento de pessoas e objetos servirá para o controle, monitoramento e vigilância comercial, publicitário, mercadológico, político e policial. O segundo cenário é aquele em que os objetos podem ser usados para contar histórias, deles e dos seus usos, trocar informações com outros, reforçar a memória social e coletiva, ajudar na construção de uma cidade onde as pessoas participem mais da vida comum, nos ajudar a saber mais sobre os processos de trabalho na origem dos objetos e o uso dos recursos do meio ambiente para produzi-los. Assim, a colaboração e o compartilhamento de informação poderão revelar mais sobre as trajetórias dos objetos e sobre nossas relações com eles. Há, consequentemente, uma dimensão política importante aqui, ou o que Bruno Latour chama de “parlamento das coisas”, ou seja, trazer os objetos, as “coisas” às “causas”, ao debate e à discussão. O primeiro cenário é o da industrialização, automação e centralização. O segundo é o da emancipação e da construção de uma vida social mais consciente dos seus problemas (técnicos, ambientais, culturais, sociais&#8230;). Na realidade, não acredito que tenhamos um cenário ou outro, mas tensões entre esses dois cenários em que o futuro vai ser decidido. Tudo está aberto. Devemos fazer um esforço para revelar as redes (me refiro às associações entre os agentes, e não à estrutura dos computadores) que se escondem nas diversas relações entre humanos e não-humanos, como nos ensina a <em>Actor-Network Theory</em> (ANT). As novas tecnologias podem nos ajudar a revelar essas redes e abrir “caixas-pretas” (processos, produtos, conceitos, estruturas estabilizadas), podem nos ajudar a criar visualizações dessas redes que ampliem o debate, produzam controvérsias e discussão e, assim, enriquecer a dimensão política.</p>
<p><strong>Tem uma nova onda de arquitetos e urbanistas mais interessados nos espaços, nas relações humanas nos espaços urbanos, que na construção de edifícios. Estamos chegando na era do &#8216;space making&#8217; e no final da arquitetura espetáculo?</strong></p>
<p>Não sei. Acho que esse sempre foi o trabalho dos arquitetos: pensar nos processos de espacialização, ou seja, nas relações entre humanos e não-humanos (as coisas e objetos) na produção do espaçamento. O lugar só existe na tensão entre lugares e coisas. Ele não é aquilo que contem coisas, mas a rede que se forma na relação entre as coisas fixas e em movimento. Assim, tudo que tem sido feito para pensar esse “espaço-rede” me interessa pois coloca ênfase no lugar, única dimensão “real”, como falei anteriormente. Não vejo o fim da arquitetura espetáculo, mas há iniciativas interessantes que pensam os processos comunicativos em meio à constituições do espaço. Penso na arquitetura líquida de Novak, nos trabalhos de Koolhaas, nas análises do geógrafo Nigel Thrift&#8230; No Brasil, gosto do trabalho do arquiteto brasileiro Paulo Mendes da Rocha e de suas aberturas para relações com o exterior, com a comunicação entre os espaço&#8230;</p>
<p><strong>Me interessa bastante o conceito de Sentient ID (identidade digital). Mais ainda, como conectar identidades digitais com espaços físicos concretos. Mais ainda, os aplicativos, redes e novas ferramentas digitais que procuram relações humanas (com conhecidos mas também com desconhecidos) nos espaços urbanos. Que experiências destacaria nessa direção?</strong></p>
<p>Acho que essas experiências podem ser interessantes se forem ações para potencializar o encontro com aquilo que pode nos completar, com o que nos falta. Isso pode ser tanto em uma relação social íntima, como em uma relação comercial ou mesmo no ambiente de trabalho. Não gosto de sistemas de indexação de gostos que fazem com que os usuários encontrem sempre aquilo que estão familiarizados, aquilo que já conhecem, o que gostam ou que encontrem sempre pessoas que estão afinadas aos seus pensamentos. Isso é bom, é útil, é objetivo e é eficaz. Isso é o que faz o Facebook, o Twitter. Mas precisamos ir além disso. Precisamos potencializar a saída do que Eli Pariser chama de “filtro bolha”. Como eu conheci as antigas comunidades virtuais no começo da década de 1990 (anônimas, temáticas, abertas, sem empresas comerciais por trás) fico sempre querendo que sistemas de perfis e mineração de dados possam potencializar a <em>serendipty</em> e que sejam menos o funcional. Mas isso talvez seja mesmo impossível pois era a antíntese desses sistemas atuais. Vemos aqui mais uma dimensão política das identidades digitais, dos perfis virtuais, do Big Data e da mineração de dados.</p>
<p><strong>O conceito de <em>media building</em> de Paul Virilio parece que agora é quase tangível. Muita <em>real time information</em> produzida por objetos conectados mais também por usuários. Para onde vamos? Como vamos lidar com o big data? Será mais importante o big data cidadão empoderante ou o big data da Internet das coisas?</strong></p>
<p>O <em>big data</em> tem duas dimensões: A do Big Brother, traçando perfis comerciais e policiais, monitorando marcas e movimentos de pessoas, controlando e antecipando ações, ou seja, os estudos de “<em>surveillance society</em>” que se faz na discussão sobre visibilidade, dados, pessoas e objetos. Há também o outro lado e que devemos ressaltar. Esse <em>big data</em> permite também ver as conexões, traçar as relações em tempo real, mostrar como as redes, enquanto associações de humanos e não-humanos, se forma e se deforma, aqui e acolá. Isso pode nos ajudar a compreender as associações, a conhecer melhor o social e suas questões principais nesse e em outros domínios. Nesse sentido, as novas tecnologias podem ser ferramentas importantes de visualização inédita das associações e nos ajudar a revelar os perigos e as benesses das redes que constituem as diversas áreas da vida social. Acho que estamos no meio desse turbilhão. Devemos criar condições para o empoderamento do cidadão, como por exemplo, garantir que ele seja dono dos seus dados e assim que ele possa apagá-los, controlar o seu movimento e estoque, torná-los privados ou públicos. Talvez essa seja uma das dimensões políticas mais importantes e atuais na discussão sobre os rumos da cultura digital.</p>
<p><strong>O conceito de Smart City (e a mutação Smarter City de IBM) tem sido criticado por ser bastante vertical, por controlar dados cidadãos de uma forma centralizada e por não abrir os dados. O que deveria melhorar na gestão das chamadas cidades inteligentes? </strong></p>
<p>Conheci de perto a experiência do maior projeto mundial nesse domínio que é o Centro de Operações Rio (COR), ligado a prefeitura da cidade do Rio de Janeiro. O sistema monitora todos os principais aspectos da cidade em tempo real. Para os administradores e gestores municipais é muito importante ter essa visão global e ter dados em tempo real para tomar decisões que possam fazer com que a cidade funcione (luz, água, obras, trânsito, acidentes, escolas, postos de saúde, ambulâncias&#8230;tudo é monitorado). Não acho que a intenção, nesse caso, seja monitorar e controlar os cidadãos. O sistema está construído para ajudar os administradores a melhorar o fluxo de coisas e informações e os diversos serviços na cidade. Isso dito, as críticas são pertinentes já que não podemos delegar a gestão da cidade a sistemas informacionais, não podemos simplesmente confiar na sua funcionalidade ou garantir que os dados não serão usados contra os cidadãos, ou que dados secretos não serão utilizados para servir a interesses políticos ou de empresas. Esse sistema permite a produção de dados importantíssimos para o controle social e deve ser transparente na sua dimensão digamos, material (dados disponíveis para todos, já que gerados por todos que usam a cidade) e política (que projeto está por detrás dessa gestão, quais os interesses em jogo&#8230;). Assim, é fundamental que haja transparência dos dados e das políticas que estão por trás desses sistemas de Smarter Cities. Da mesma forma que ele torna tudo visível e transparente, ele também tem que ser visível e transparente para os cidadãos. Não se trata apenas de gestão urbana, mas de uma política da informação. Por exemplo, no caso do COR do Rio, seria muito interessante se as pessoas pudessem também acessar o sistema e ter conhecimento dos dados gerados nesses sistemas. Isso não acontece. Há apenas informações via Twitter &#8211; forma de diálogo com os cidadãos &#8211; e três boletins diários oficiais.</p>
<p><strong>O que você acha da placa/movimento Arduino, do hardware livre, dos dados cidadãos distribuídos e de ferramentas de visualizações como Pachube?</strong></p>
<p>Costumo dizer que assim como a internet foi tomada dos militares pela vida social, nós precisamos de uma “arduinização” da internet das coisas. Precisamos sair do M2M (<em>machine to machine</em>) das grande empresas e indústrias e promover um uso social, uma apropriação social dos objetos e dotá-los de capacidades infocomunicacionais de “baixo para cima”. Só assim produziremos sentido com os objetos e sobre os usos e os dados gerados a partir desses objetos. Isso foi mais ou menos respondido mais acima.</p>
<p><em>(duas perguntas originais respondidas em uma resposta)</em><strong> </strong></p>
<p><strong>Falando de mídia e de informação&#8230;</strong> <strong>A grande mídia tem entendido mesmo a informação geolocalizada, o jornalismo cidadão em tempo real, a nova pele de informação gerada pelo enxame cidadão? </strong></p>
<p><strong>O Henry Jenkins falava de storytelling transmedia. Eu estou falando nos últimos tempos da cidade transmedia. É exagero considerar a cidade física como uma nova plataforma informativa?</strong></p>
<p>Cidade sempre foi um organismo artificial híbrido resultante de fluxos informacionais e comunicacionais. Sempre. Nesse sentido ela é desde sempre transmídia. Acho que devemos ter cuidado ao adotar esses termos. Pode ser interessante para ilustrar alguns aspectos, mas não podem ser vistos como conceitos definitivos e esclarecedores. Hoje temos novos fluxos comunicacionais, novas formas de circular, produzir e consumir a informação, e isso sob suas mais diversas modalidades. Mas as cidades são “cidades cyborgs” desde sempre, artefatos compostos de fluxos de coisas, pessoas, informações. Assim como hoje. O que vejo de novo é a possibilidade de ressaltar processos infocomunicacionais e politizar de forma global os destinos locais dos espaços urbanos.</p>
<p><strong>Que importância tem o movimento &#8216;open data&#8217; no funcionamento das cidades? Vamos ver visualizações com realidade aumentada sobre dados concretos de prédios, bairros, ruas e praças? Open data geolocalizado?</strong></p>
<p>Acho que a realidade aumentada é interessante mas não deve ser uma forma única de narrativa do urbano. Ela não pode ser um instrumento que diminua a complexidade do real ao revelar toda a verdade sobre objetos, monumentos, praças, etc. Em muitos casos a “realidade aumentada” diminui a complexidade do vivido.  Escrevi recentemente um artigo para o Museu do México mostrando esse ponto. Há experiências interessantes de realidade aumentada (artísticas e políticas) e outras bem comerciais como achar pontos comerciais, de metrô ou ônibus, ou informações turísticas. Não acho que isso seja verdadeiramente inovador. É útil, mas precisamos de mais do que o útil, sempre.</p>
<p><strong>Conceitos como inteligência coletiva (Pierre Lévy) ou enxame (Kevin Kelly) parecem ter mais sentido na nova era da Internet móvel. O movimento 15M da Espanha (Indignados) está desenvolvendo muitas ferramentas de real time+inteligência coletiva. A última, <a href="http://voces25s.wordpress.com/">#Voces25S</a> para visualizar em um mapa graças a hashtags mensagens&#8230;</strong></p>
<p>Sim, como falei, são as potências geradas pelos três princípios da cultura digital e que permite a emergência de vozes, a sua circulação, o compartilhamento e, por conseguinte, a transformação social, econômica, cultural, política.</p>
<p><em>(duas perguntas originais respondidas em uma resposta)</em><strong> </strong></p>
<p><strong>Por outro, lado as dinâmicas do movimento do software livre e do open source também estão poluindo as cidades. Colaboração, co-criação, processos bottom-up&#8230; estão sendo usadas em processos de construir cidades&#8230;.  Que outras dinâmicas do mundo do software livre (ou das redes em geral) estão indo para as cidades físicas?</strong></p>
<p><strong>Os movimentos como o 15M &#8211; Occupy tem criado novos paradigmas de cidades. Estamos falando de cidades P2P, cidades <em>open source</em>, cidades <em>copyleft </em>&#8230;  Como vamos lembrar / estudar de aqui a uns anos estes movimentos que misturam ocupações de praças com processos de redes?</strong></p>
<p>Devemos evitar esses termos, ou usá-los apenas de forma bem caricatural, para ilustrar mas não para compreender os fenômenos. Não acho que haja “cidade open source”, “revolução 2.0”, “cidade P2P” etc. O que há é uma relação híbrida entre agentes humanos e não-humanos com as novas ferramentas infocomunicacionais e em rede. Isso não é pouco e compreendo quando você adiciona esses termos a conceitos antigos como “cidade”, “revolução” etc. É para ressaltar essa novidade. Ok, mas precisamos ter cuidado para não sermos levados a erros frequentes de purificação. Escrevi recentemente um artigo questionando isso (<a href="http://www.politics.org.br/?q=node/86">Things (and People) are the Tools of the Revolution</a>), sobre a primavera árabe. Uns afirmavam ser essa uma “revolução 2.0” e outros que não, que isso não era possível pois era uma “revolução das pessoas”. Ora ambos estavam incorretos. Não há uma coisa nem a outra, mas sempre processos híbridos. Não foi uma revolução do Facebook ou do Twitter, não foi uma revolução de pessoas: foi uma revolução em que a associação entre Twitter, Facebook, youtube, e pessoas foram fundamentais nesse momento. Isso pode não acontecer no futuro pois não há “essência” revolucionária nessas redes sociais, assim como não há ação humana sem acoplamento aos mais diversos artefatos (pedras, panfletos, bombas, machado, celulares, computadores, redes sociais&#8230;). Cabe a nós, a cada momento, revelar as associações. Nesse caso específico as redes sociais foram agentes importantes nos levantes políticos. Pode não ser assim em outro lugar ou momento. Revoluções, cidades sempre foram movimentos e constituições híbridas. Devemos reforçar o entendimento das características dos novos artefatos que em muito diferem dos anteriores pela sua potência global infocomunicativa. Mas não é hoje que esse hibridismo se constrói.</p>
<p><strong>Falando do Brasil. Como você acha que os brasileiros, sempre criativos e sociais, vão encarar esta nova era da Internet móvel e da sociedade conectada?</strong></p>
<p>Acho que a cultura brasileira, uma cultura da gambiarra, do improviso, do jeitinho, tem tudo para tirar proveito da cultura digital. Mas temos que ir além do estereótipo do brasileiro cordial, criativo, alegre e social. Precisamos de educação, de política de informação, de igualdade social que garantam acesso para todos, que entendam as potencialidades estratégicas para o país dessa era da informação digital em rede e que, principalmente, não tenham uma posição paternalista que visa ensinar ou doutrinar os menos privilegiados. Acho que é da gambiarra e do improviso que nascerá, junto com políticas públicas de comunicação, educação e infraestrutura (e os respectivos investimentos consistentes), uma cultura brasileira digital que possa, em primeiro lugar, melhorar as condições de vida da população e, quem sabe, mais adiante, ser impulsionadora da cultura digital mundial. Precisamos desenvolver conteúdo, <em>softwares</em>, <em>hardwares</em>, incluir e garantir constitucionalmente a liberdade e a autonomia na rede, como pretende, por exemplo, o Marco Civil da Internet Brasileira. Temos que aprovar esse Marco mais rapidamente possível. Ele é único no mundo e um exemplo a ser seguido. Nós, brasileiros, somos <em>hard users</em> das redes sociais, somos os que ficam mais tempo conectados à internet, produzimos discussões interessantes sobre a cultura proprietária dos bens simbólicos (<em>copyright</em>), desenvolvemos experiências interessantes com <em>softwares</em> de fonte aberta, criamos uma cultura digital com poucos recursos nas periferias (música, vídeo, literatura&#8230;). Assim, precisamos potencializar o que temos de mais interessante na constituição do povo brasileiro com políticas públicas inteligentes, antenadas com o espírito da época que garantam a liberdade de informação e o acesso a todos.</p>
<p><strong>Para finalizar. Comenta um possível futuro utópico (falando em tecnologia) do mundo e um futuro distópico.</strong></p>
<p>Nenhum dos dois existem. Só existe o presente, e temos que fazer agora para que o que venha pela frente seja sempre a batalha de visões sobre o melhor dos mundos contra o pior dos mundos possíveis. O que interessa é que tenhamos garantido a liberdade do debate e a justiça nas escolhas resultantes desses debate. Utopia e distopia são só nomes para dizer aquilo que queremos ou não queremos. A discussão vem antes. A multivocalidade, a visibilidade de culturas diferentes, a comunicação global que a cultura digital nos propicia podem nos ajudar a construir esse espaço global de conversação e resolver os problemas urgentes do planeta e da convivência nos espaços urbanos. Mas paro por aqui pois acho que já estou sendo utópico.</p>
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		<title>A era da polinização cruzada</title>
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		<pubDate>Tue, 25 Sep 2012 22:59:20 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Texto de Bernardo Gutiérrez (@bernardosampa em Twitter), fundador de Futura Media Cada peça é uma chave. Uma corda que conecta. Uma faísca que ilumina um canto inesperado. Uma passagem secreta para o outro lado da montanha mágica. O melhor de tudo: cada peça forma parte de um sistema maior, cuja única missão é possibilitar conexões [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><iframe src="http://player.vimeo.com/video/37778172" frameborder="0" width="500" height="281"></iframe></p>
<p>Texto de Bernardo Gutiérrez (<a href="https://twitter.com/bernardosampa" target="_blank">@bernardosampa </a>em Twitter), fundador de Futura Media</p>
<p><strong>Cada peça é uma chave. Uma corda que conecta. Uma faísca que ilumina um canto inesperado. Uma passagem secreta para o outro lado da montanha mágica. O melhor de tudo: cada peça forma parte de um sistema maior, cuja única missão é possibilitar conexões impossíveis. O </strong><strong><a href="http://fffff.at/free-universal-construction-kit/" target="_blank">Free Universal Construction Kit</a>,</strong><strong> um sistema de 80 peças, tem um objetivo aparantemente pouco importante: que as crianças conectem brinquedos diferentes.</strong> As 80 peças do kit permitem unir peças de <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Lego" target="_blank">Lego</a>, <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Lego_Duplo" target="_blank">Duplo</a>, <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Fischertechnik" target="_blank">Fischertechnik</a><wbr> ou <a href="http://www.amazon.com/Gears-%C2%AE-Beginners-Building-Set/dp/B00000DMCE" target="_blank">Gears</a>, entre outros. Os sistemas de jogos patenteados por marcas, de repente, estão conectados. Mas ainda há um toque magistral: o coletivo <a href="http://fffff.at/" target="_blank">F.A.T</a> (com a sua receita picante de cultura pop, <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%B3digo_aberto" target="_blank">código aberto </a>e ativismo) e <a href="http://www.sy-lab.net/" target="_blank">SyLab</a> não vendem as peças. Sobem para Internet em formato <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/STL_%28file_format%29" target="_blank">STL</a> com licença livre para qualquer um construir com a ajuda de uma impressora 3D (eles recomendam <a href="http://www.makerbot.com/" target="_blank">Makerbot</a>).</wbr></p>
<p><strong>Pensemos a essência da </strong><strong><em>Free Universal Construction Kit.</em></strong><strong> Pensemos grande: a conexão no centro da estratégia, o link como um valor acrescentado, o transversal como um fator multiplicador. Cada peça é a responsável de que um sistema inteiro sofra uma mutação criativa. O sistema funcionou por séculos com a inércia do divide e vencerás. De patentie e enriquecerás.</strong> Do inventa sozinho e triunfarás. Mas a sociedade em rede, na era da inteligência coletiva e do código aberto está dinamitando os sistemas exclusivos e as habitações privadas. O departamento de I+D de especialistas que não dialogam nem com a sociedade, nem com outros aspectos de outras disciplinas, está seriamente ameaçado. A revista <em>Wired</em>, destacava recentemente em um artigo de sua edição britânica intitulada <a href="http://www.wired.com/business/2012/04/ff_spotfuture/" target="_blank">Como descobrir o futuro</a> a figura dos <em>cross-pollinators </em>na inovação, algo como polinizadores cruzados.</p>
<p><strong>A inovação na </strong><strong><a href="http://www.manifiestocrowd.com/" target="_blank">era do crowd</a>,</strong><strong> de acordo com a <em>Wired</em>, deveria inspirar-se na função da abelha, vital para a tarefa de </strong><strong><a href="http://www.fao.org/docrep/008/y5110s/y5110s03.htm" target="_blank">polinização cruzada</a> </strong><strong>de certas plantas. O </strong><strong><em>cross-pollinator</em></strong><strong> seria uma parte fundamental desta nova época turbulenta, um catalisador, um co-inspirador </strong><strong>interdisciplinar<wbr> </wbr></strong><strong>. Na verdade, a história tem sido cheia de polinizações cruzadas baseadas na </strong><strong><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Serendipidade" target="_blank">serendipia</a></strong><strong> (descobrir algo ao olhar para outra coisa).</strong> Perca-se e descobrirás. Alexander Fleming inventou a penicilina por acidente quando investigava o cultura de  bactérias. As famosas notas post-it nasceram por acaso. O artigo da <em>Wired</em> fornece alguns bons exemplos: &#8220;Quando o matemático John von Neumann cruzou física e engenharia ajudou a ciência informática. Seu contemporâneo Buckminster Full navegou livremente entre a engenharia, a economia e a biologia para resolver problemas de tráfego, arquitetura e desenho urbano&#8221;. A <a href="http://es.wikipedia.org/wiki/Econom%C3%ADa_conductual" target="_blank">economia comportamental</a> por exemplo, surgiu quando Daniel Kahneman e Amos Tversky mesclaram psicologia e economia.</p>
<p><strong>E que inovação surgirá nesta nova era de </strong><strong><strong><em>cross-pollinators</em>?</strong> Que polinização gerará a era das equipes </strong><strong><strong><a href="http://www.yorokobu.es/adhocratas-al-poder/" target="_blank">adhócratas</a> que</strong> trabalham de forma rotativa, flexível e interdisciplinar? Poderíamos pensar que cada peça do </strong><strong><strong><em>Free Universal Construction Kit</em></strong> é uma metáfora de algo maior? Que cada peça poderia ser uma pessoa, uma plataforma web ou a porta de um edifício que incentiva uma conexão impossível?</strong> As nuances são muitas (e remixáveis). Um biólogo como <a href="http://nomada.blogs.com/" target="_blank">Juan Freire</a>, que investiga sobre arquitetura e organização de empresas é um polinizador cruzado. Mas uma <a href="http://es.wikipedia.org/wiki/Interfaz_de_programaci%C3%B3n_de_aplicaciones" target="_blank">API</a>  aberta, que permite, por exemplo, cruzar <em>Craiglist</em> e <em>Google Maps</em> para criar <a href="http://futuramedia.net/wp-admin/Housingmaps.com" target="_blank">Housingmaps</a>, é uma interface de polinização cruzada. E um <em>hub</em> físico como o <a href="http://medialab-prado.es/" target="_blank">MediaLab Prado</a> onde trabalham pessoas multi-disciplinarmente é um lugar de polinização cruzada. E <a href="http://movecommons.org/" target="_blank">MoveCommons</a>, que põe em contato pessoas e coletivos com inquietudes similares, é uma plataforma de polinização cruzada. E  <a href="http://kune.ourproject.org/" target="_blank">Kune,</a>  que facilita o trabalho digital colaborativo, é uma ferramenta de polinização cruzada. E <a href="http://www.thingiverse.com/uck" target="_blank">Thingdiverse</a>, um acervo virtual de desenhos de objetos reais, é um armazém de polinização cruzada.</p>
<p><strong>Pensemos grande. Ou melhor: pensemos pequeno. Se uma pessoa, uma plataforma, uma ferramenta, um lugar, um ciber-armazém ou um código aberto, nunca existirá a </strong><strong>polinização cruzada sem uma nova atitude que guie a uma nova sociedade. </strong>Reciclar-se ou morrer. Pensar lateralmente ou desaparecer. Conectar, colaborar ou perder. Lembre-se: sua inspiração é a abelha. Somos <a href="http://doctorpolitico.com/?p=28557" target="_blank">enxame</a>. O que está contido em um ser humano, como escreveu, Kevin Kelly em <em>Out of control</em>,  que não emergirá até que estejamos todos interconectados por fios e política?</p>
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		<title>Para a cidade da aprendizagem</title>
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		<pubDate>Mon, 27 Aug 2012 22:37:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Futura Media</dc:creator>
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		<description><![CDATA[) Artigo escrito por Bernardo Gutiérrez (@bernardosampa), fundador de Futura Media, e publicado primeiro no jornal 20 Minutos.  Crie um evento na rede. Pode ser uma conferência. Ou um debate. Ou uma aula. Agora, escolha um lugar. Uma cidade, um bairro, uma sala. Peça um número mínimo de participantes. Você pode escolher se é um evento [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><iframe src="http://player.vimeo.com/video/27359974?title=0&amp;byline=0&amp;portrait=0&amp;color=83b1df" frameborder="0" width="500" height="281"></iframe>)</p>
<p><em>Artigo escrito por Bernardo Gutiérrez (<a href="https://twitter.com/bernardosampa" target="_blank">@bernardosampa</a>), fundador de Futura Media, e publicado primeiro no jornal <a href="http://www.20minutos.es/" target="_blank">20 Minutos</a>. </em></p>
<p><span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', 'Bitstream Charter', Times, serif;"><strong>Crie um evento na rede. Pode ser uma conferência. Ou um debate. Ou uma aula. Agora, escolha um lugar. Uma cidade, um bairro, uma sala. Peça um número mínimo de participantes. </strong>Você pode escolher se é um evento gratuito ou se quer um pagamento. Em seguida, movimente-o nas redes. E espere. Simples assim é a filosofia da plataforma brasileira </span><a href="http://nos.vc/pt" target="_blank">Nos.vc</a>.</p>
<p><span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', 'Bitstream Charter', Times, serif;"><strong><em>Nos.vc</em>, algo como &#8220;Nós e você&#8221;, quer incentivar a troca de conhecimentos em qualquer espaço. Quer romper os muros das universidades. E transformar a cidade em </strong></span><strong><a href="http://www.paisajetransversal.org/2012/04/delg-sentient-city-de-la-ciudad.html" target="_blank">cidade de aprendizagem</a></strong><span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', 'Bitstream Charter', Times, serif;"><strong> como diz o urbanista e pensador </strong></span><a href="https://twitter.com/urbanohumano/" target="_blank"><strong>Doménico di Siena</strong>.</a><span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', 'Bitstream Charter', Times, serif;"> Qualquer canto pode ser uma aula. Qualquer parque, qualquer praça, um lugar de ensino e intercâmbio. Todas as pessoas podem aprender com todas. A hierarquia professor-aluno não é tão rígida. Ensinar é mais bidirecional. E </span><em>Nos.vc</em><span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', 'Bitstream Charter', Times, serif;"> tem muito claro: &#8220;a aprendizagem não deve ser restrita às fases da vida, instituições e alguns professores. Qualquer momento é bom, todo mundo pode ensinar e aprender&#8221;.</span></p>
<p><span>E o que é exatamente o conceito de cidade da aprendizagem? Para começar tem um claro antagonismo quanto</span><span style="font-family: georgia, serif;"> </span><span style="font-family: georgia, serif;">à</span><span style="font-family: georgia, serif;">s ci</span><span>dades criativas defendidas pelo neoliberal </span><a href="http://es.wikipedia.org/wiki/Richard_Florida" target="_blank">Richard Florida</a><span>, baseadas em um modelo de consumo cultural. A cidade de aprendizagem, segundo Doménico di Siena, consiste em <strong>&#8220;passar de modelos baseados na criação de produtos e serviços eficientes que nos obrigam a um constante movimento (e consumo), para modelos baseados em gestão de informação e de produção de conhecimento (auto-organização)</strong>&#8220;.  A iniciativa de Doménico </span><a href="http://thinkcommons.org/" target="_blank">Think Commons</a>, que une<span> virtualmente diferentes pessoas que logo se encontram na cidade, é um bom exemplo disso.</span></p>
<p><strong><span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', 'Bitstream Charter', Times, serif;">A </span><a href="http://www.lavanguardia.com/vida/20110831/54209127488/la-universidad-indignada-15m-se-inaugura-en-plaza-catalunya.html" target="_blank">Universidad Indignada</a> </strong><strong>do movimento espanhol 15M, que quer transformar as praças e parques em uma universidade aberta, caminha nesta direção. O projeto </strong><strong><a href="https://twitter.com/bocornella" target="_blank">Break Out</a> </strong><strong> de Barcelona, ​​também.</strong> Seu slogan, &#8220;Escape do escritório&#8221;, convida a usar o espaço público como local de trabalho. Uma cidade cheia de escritórios itinerantes, de pessoas trabalhando nas imediações, seria uma cidade de aprendizagem. O <em>plug in</em> <a href="http://www.meetup.com/everywhere/" target="_blank">Meet Up Everywhere</a>, que permite o encontro no meio urbano das comunidades virtuais ao redor de conteúdos temáticos, é outra cara da cidade de aprendizagem.</p>
<p><strong><span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', 'Bitstream Charter', Times, serif;">Tem sentido limitar uma classe em um espaço físico </span>fechado</strong><strong> na idade das redes? A Universidade de Harvard tem claro que </strong><strong>não</strong><strong>: a partir de agora </strong><strong><a href="http://www.extension.harvard.edu/open-learning-initiative" target="_blank">colocará na Internet</a></strong><strong> a maioria de seus cursos. O próprio Massachusetts Institute of Technology (MIT) decidiu </strong><strong><a href="http://ocw.mit.edu/index.htm" target="_blank">subir seus cursos completos na web</a> </strong><strong>para que qualquer pessoa possa segui-los.</strong> O <a href="http://www.prototyping.es/hacking-academy-studio" target="_blank">Hacking Academy Studio</a>, lançado por alguns membros do Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC) da Espanha, vai nesta direção. Embora talvez o mais radical do ensino auto-gerido seja a <a href="https://p2pu.org/es/" target="_blank">P2P University</a> ou pela<a href="http://wiki.foradoeixo.org.br/index.php?title=Universidade_FDE" target="_blank"> Universidade Livre Fora do Eixo</a>.</p>
<p>Enquanto os governos aumentam as taxas universitárias para um modelo de formação elitista, a sociedade reinventa a educação a partir da horizontalidade e o compartilhado.</p>
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		<title>Cidades copyleft</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Jul 2012 01:39:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Futura Media</dc:creator>
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		<description><![CDATA[  Artigo escrito por Bernardo Gutiérrez (@bernardosampa), CEO e Founder de Futura Media. Alguns dias atrás eu sonhei que era um DJ de ruas. A cidade estava em uma mesa de mixagem. Pegava pedaços de praças, fragmentos de ruas e os mesclava com desenvoltura. Nada como pegar a pele verde de um parque e colocar [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://futuramedia.net/politica/cidades-copyleft/attachment/redes_espacio_publico-3" rel="attachment wp-att-918"><img class="aligncenter size-large wp-image-918" title="redes_espacio_publico" src="http://futuramedia.net/wp-content/uploads/2012/07/redes_espacio_publico1-558x216.jpg" alt="" width="558" height="216" /></a></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>Artigo escrito por Bernardo Gutiérrez (@bernardosampa), CEO e Founder de Futura Media</em>.</p>
<p><span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', 'Bitstream Charter', Times, serif;"><strong>Alguns dias atrás eu sonhei que era um DJ de ruas. A cidade estava em uma mesa de mixagem. Pegava pedaços de praças, fragmentos de ruas e os mesclava com desenvoltura. Nada como pegar a pele verde de um parque e colocar em um sulco do vinil (sobre uma avenida)</strong>. A cidade, volta após volta, nunca era a mesma. Às vezes, bastava em voltar atrás (</span><em><a href="http://es.wikipedia.org/wiki/Scratch" target="_blank">scrath</a></em><span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', 'Bitstream Charter', Times, serif;">) para melhorar o remix. Em outras, melhor avançar. Encontrar uma variante diferente.</span></p>
<p><span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', 'Bitstream Charter', Times, serif;">Confesso que antes de dormir devorei um coquetel explosivo por vários dias: reli <em>O direito à cidade</em> (um ensaio urbanístico de </span><a href="http://es.wikipedia.org/wiki/Henri_Lefebvre" target="_blank">Henri Lefebvre</a>) e<span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', 'Bitstream Charter', Times, serif;"> </span><em>Software livre para uma sociedade livre (</em><span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', 'Bitstream Charter', Times, serif;">um conjunto de </span><a href="http://www.traficantes.net/index.php/editorial/catalogo/coleccion_mapas/Software-libre-para-una-sociedad-libre" target="_blank">escritos e conferências</a><span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', 'Bitstream Charter', Times, serif;"> de Richard Stallman). <strong>Lefebvre afirmava que o &#8220;urbano é uma obra dos cidadãos&#8221; e não &#8220;uma imposição do sistema&#8221;. A cidade, dizia, não é &#8220;um livro já acabado&#8221;, mas sim &#8220;a linguagem dos indivíduos&#8221;. E não é apenas uma linguagem, &#8220;e sim uma prática&#8221;.</strong></span></p>
<p><span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', 'Bitstream Charter', Times, serif;">Richard Stallman, fundador do movimento </span><a href="http://es.wikipedia.org/wiki/Movimiento_del_software_libre" target="_blank">software libre</a><span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', 'Bitstream Charter', Times, serif;">, afirma que &#8220;a liberdade e não apenas a tecnologia é importante&#8221;. Por isso golpeou a licença </span>copyright<span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', 'Bitstream Charter', Times, serif;"> com suas próprias armas. Ele criou a licença </span><a href="http://es.wikipedia.org/wiki/Copyleft" target="_blank">copyleft</a> <span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', 'Bitstream Charter', Times, serif;">que libera a cópia e o remix de um programa informático exigindo daqueles que a utilizam que usem a mesma licença aberta. <strong>Stallman abriu uma porta: a de cooperação entre indivíduos. Os programadores com software não-proprietários trabalharam juntos em rede, melhorando algo para o bem comum. Tal como os cidadão fazendo a cidade na prática. Tal como os artistas liberando suas obras.</strong> &#8221;A visão de um regimento de hackers com a mão na obra &#8211; escrevia Stallman &#8211; constitui uma fonte de alívio e alegria e penso que a cidade sobreviverá para o momento.&#8221;</span></p>
<p><span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', 'Bitstream Charter', Times, serif;">Relacionar a Lefebvre e a Stallman não é um capricho. É uma intuição infalível. Algo totalmente lógico. Stallman tem claro que o software livre não é um produto: é um movimento social. Lefrebvre sofria vendo a cidade &#8220;convertida em um objeto de consumo&#8221;. Stallman afirma que &#8220;um bom cidadão é aquele que colabora, não aquele que alcança sucesso quando rouba os outros&#8221; (proprietário de mercado). Lefrebvre exalta o &#8220;valor de uso&#8221; (o gozo, a beleza) versus o valor de troca (o mercado e suas exigências). E o mais revelador, <strong>ambos vislumbram um mundo governado por corporações escuras e objetos privatizados. &#8220;A coisa mais importante é resistir à tendência de dar mais poder para as empresas em detrimento do público&#8221;, disse Stallman. &#8220;A cidade é a projeção da sociedade global sobre o terreno&#8221;, afirmou Lefebvre. Software livre para uma sociedade livre. Software livre para uma cidade livre.</strong></span></p>
<p><a href="http://futuramedia.net/politica/cidades-copyleft/attachment/6a00d8341c86cc53ef0147e04a86fc970b-400wi" rel="attachment wp-att-919"><img class="aligncenter size-full wp-image-919" title="6a00d8341c86cc53ef0147e04a86fc970b-400wi" src="http://futuramedia.net/wp-content/uploads/2012/07/6a00d8341c86cc53ef0147e04a86fc970b-400wi.jpg" alt="" width="400" height="156" /></a></p>
<p><a href="http://blogs.20minutos.es/codigo-abierto/files/2012/04/ciudadcopyleftbuena1.jpg"><br />
</a><a href="http://blogs.20minutos.es/codigo-abierto/files/2012/04/ciudadcopyleftbuena.jpg"><br />
</a></p>
<p><span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', 'Bitstream Charter', Times, serif;">Continuamos jogando. Imaginamos a Lefebvre programando. Ou a Stallman pensando a cidade. Aplicamos a </span><a href="http://es.wikipedia.org/wiki/Definici%C3%B3n_de_Software_Libre" target="_blank">definição de <em>software livre</em></a><span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', 'Bitstream Charter', Times, serif;"> a uma cidade. Com uma nuance: substituir a palavra &#8220;programa&#8221; por &#8220;cidade&#8221;. Vamos jogar:</span></p>
<div>
<p><span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', 'Bitstream Charter', Times, serif;"><strong>Liberdade 0</strong>. Liberdade para executar a cidade seja qual for nosso propósito.</span></p>
<p><span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', 'Bitstream Charter', Times, serif;"><strong>Liberdade 1.</strong> Liberdade para estudar o funcionamento da cidade e adapta-lo às suas necessidades &#8211; o acesso ao código-fonte é um pré-requisito para isso.</span></p>
<p><span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', 'Bitstream Charter', Times, serif;"><strong>Liberdade 2.</strong> Liberdade para redistribuir cópias e assim ajudar ao seu próximo.</span></p>
<p><span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', 'Bitstream Charter', Times, serif;"><strong>Liberdade 3.</strong> Liberdade para melhorar a cidade e depois publicar para o bem de toda a comunidade.</span></p>
<p><span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', 'Bitstream Charter', Times, serif;"><strong>Nós poderíamos mudar &#8220;programa&#8221; por &#8220;rua&#8221; ou &#8220;praça&#8221;. &#8220;A liberdade para executar a praça seja qual for o nosso propósito &#8230;&#8221;. O copyleft seria a licença legal que garantiria este &#8220;valor de uso&#8221; lefebvriano da cidade. O copyleft garantiria uma cidade /</strong></span><strong>software</strong><strong> livre.</strong> Permitiria &#8220;a livre distribuição de cópias e versões modificadas de uma cidade, exigindo que os mesmos direitos sejam preservados nas versões modificadas.&#8221; O código-fonte &#8211; a essência da cidade, sua rede, sua operação &#8211; estaria visível. Seria modificável. Melhorável coletivamente. O intercambio entre usuários de <a href="http://es.wikipedia.org/wiki/Peer-to-peer" target="_blank">P2P</a> (peer-to-peer) se tornaria uma Praça2Praça e um Parque2Parque.</p>
<p><span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', 'Bitstream Charter', Times, serif;"><strong>Esta hipótese retro-futurista não é ficção científica. Inspirados no software livre, Rahul Srivastava e Matias Echenove, do brilhante e inclassificável estudo </strong></span><strong><a href="http://www.airoots.org/" target="_blank">Airoots</a>,</strong><span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', 'Bitstream Charter', Times, serif;"><strong> escreveram em 2008 seus </strong></span><strong><a href="http://www.airoots.org/2008/09/12-principles-for-an-architecture-of-participation/" target="_blank">12 princípios para uma arquitetura da participação</a>.</strong><span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', 'Bitstream Charter', Times, serif;"><strong> E há inclusive uma licença aberta </strong></span><strong>específica </strong><strong>para cidades.</strong> O escritor <a href="http://www.spc.org/fuller/" target="_blank">Matthew Fuller</a> e o urbanista / designer <a href="http://www.haque.co.uk/" target="_blank">Usman Haque</a> (criador de <a href="https://pachube.com/" target="_blank">Pachube</a>) se atreveram a propor uma licença para a construção e desenho das cidades de código aberto: o <a href="http://uvs.propositions.org.uk/uvsshortver.html" target="_blank">Urban Versioning System 1.0.1 (UVS)</a>. No escrito, os autores despedaçam os paradigmas da arquitetura espetáculo e o urbanismo que trabalha com objetos de fórmula fechada: <strong>&#8220;UVS reconhece que o mundo está construído por seus habitantes em cada momento&#8221;, &#8220;As pessoas vão projetar, de forma colaborativa, em direções nunca imaginadas&#8221;, &#8220;Apenas o modelo de construção que é capaz de perder sua trama é adequado&#8221;.</strong></p>
<p><span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', 'Bitstream Charter', Times, serif;">Esta sonhada cidade copyleft acabaria com aqueles &#8220;consumidores de produtos e espaços&#8221; de Lefebvre. A </span><a href="http://es.wikipedia.org/wiki/Adhocracia" target="_blank">adhocracia</a> multidisciplinar de &#8220;amadores&#8221; acabaria com a burocracia urbanística. <strong>A </strong><strong><a href="http://www.ciutatsocasionals.net/textos.htm" target="_blank">cidade <em>post it</em></a> liquidaria a cidade definitiva convertida em objeto de consumo. A cidade deixaria de ser um produto de fórmula fechada para ser uma <a href="http://es.wikipedia.org/wiki/Zona_Aut%C3%B3noma_Temporal" target="_blank">Zona Autônoma Temporal</a></strong><strong> com uma trama coletiva em construção.</strong> E nada melhor para aterrizar no conceito de cidade copyleft que repassar práticas já existentes, linhas de código que já estão sendo escritas.</p>
<p><span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', 'Bitstream Charter', Times, serif;"><strong>Uma cidade copyleft é uma praça aberta, participativa, cujo código fonte está escrito coletivamente (projeto </strong></span><strong><a href="http://wikiplaza.org/index.php/Portada" target="_blank">Wikiplaza</a></strong><span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', 'Bitstream Charter', Times, serif;"><strong>). A cidade copyleft é um espaço urbano gerido e melhorado em rede (projeto </strong></span><strong><a href="http://estaesunaplaza.blogspot.com.br/" target="_blank">Esto es una plaza</a></strong><span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', 'Bitstream Charter', Times, serif;"><strong>).</strong> A cidade copyleft é um conjunto compartilhado de dados abertos sobre os orçamentos de cada bairro (projeto </span><a href="http://monquartier.heroku.com/" target="_blank">Mon Quartier</a>). Ou uma visualização de qual caminho leva o lixo desde que sai de casa (projeto <a href="http://senseable.mit.edu/trashtrack/" target="_blank">Trash Track</a>).</p>
<p><strong><span>A cidade copyleft será &#8211; já está começando a ser &#8211; uma co-criação coletiva em eterno estado beta (em desenvolvimento). Uma imprevisível sessão de um DJ </span></strong><strong><em><a href="http://es.wikipedia.org/wiki/Bastard_pop" target="_blank">mash up</a> que </em></strong><strong><span> junta pedaços de melodias e ritmos já existentes com total liberdade criadora.</span></strong></p>
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<div><span><em>As imagens, com licença Creative Commons, são das galerias </em></span><em>de Flickr de <a href="http://www.flickr.com/photos/immaginoteca/" target="_blank">Immaginoteca </a>e <a href="http://www.flickr.com/photos/immaginoteca/" target="_blank">Rafeejewel</a> e do estúdio <a href="http://ecosistemaurbano.org/" target="_blank">Ecosistema Urbano</a>.</em></div>
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